Sem dúvidas um dos motivos de maior frequência que leva uma pessoa ao hematologista é a leucopenia. Mas o que é isso? É grave? É necessário seguimento? É risco para leucemia? Vamos tentar responder algumas dessas perguntas nas linhas a seguir.
Por definição leucopenia significa redução dos leucócitos (do grego – leukos: branco; penía: pobreza, escassez). Leucócitos são os glóbulos brancos do nosso sangue que, entre outras funções são responsáveis pela “defesa” do nosso organismo contra agentes externos, geralmente infecciosos. Logo a primeira impressão que a pessoa tem ao verificar a redução dos leucócitos é que possui algum tipo de fragilidade na resposta imune, porém não é bem assim.
De longe não pretendo esgotar tudo acerca do tema leucopenia com esse texto, mas é importante dizer que antes de afirmar com certeza que se trata de leucopenia sem nenhuma repercussão clínica é importante que a pessoa tenha a devida e correta avaliação pelo especialista, no caso o hematologista. Assim minimiza o risco de deixar de se avaliar algo mais sério e, portanto, deixar de realizar o tratamento adequado. Esse recado é importante!
Nem toda a leucopenia é igual
Os glóbulos brancos não são iguais, logo a leucopenia também não é igual para todo mundo. Quando se fala em leucócitos estamos nos referindo a um grupo de células com funções, tamanhos e proporções distintas. Vamos enumerar as mais relevantes.

Neutropenia
A neutropenia é quando ocorre a redução dos neutrófilos. Essas células do sangue são como a linha de frente no combate às infecções, tal como a infantaria nos exércitos. São os neutrófilos que combatem as infecções bacterianas como pneumonia, meningite, faringite, entre outras. Logo pessoas que possuem redução significativa dos neutrófilos, por vezes também chamados segmentados, podem ter esses tipos de infecções de forma recorrente.
O valor da redução é considerado significativo geralmente quando há quantidade inferior a 1.000/mm3 , sendo que valores abaixo de 500/mm3 significa quadros mais severos. As causas da neutropenia são diversas e envolve desde processos infecciosos, inflamatórios, hormonais, genéticos, entre outros. Por isso a avaliação do profissional é importante, pois no caso de alguma causa estar presente como provocador da neutropenia, geralmente o tratamento da causa pode melhorar, ou mesmo normalizar, a redução dos neutrófilos.
Drogas podem ter toxicidade que levam a redução da contagem de neutrófilos. Podem ser antibióticos, drogas quimioterápicas, anticonvulsivantes, antidepressivos, neurolépticos e muito mais. Aqui fica outro recado! Da mesma forma que não é indicado a automedicação, é muito perigoso a suspensão de medicações sem o devido conhecimento do seu médico! Outro dado importante é que, se devidamente monitorado, a neutropenia é um achado de exames que é esperado em determinados tratamentos.
Uso de álcool é também uma causa de neutropenia. Outra causa são as deficiências nutricionais como ocorre nas deficiências de B12 e do ácido fólico, assim como a desnutrição severa podem também ocasionar a neutropenia.
Neoplasias é, sem dúvida, o motivo que mais leva pacientes portadores de neutropenia a ficarem angustiados na consulta, porém não é a causa mais comum. Por outro lado, podem ser grave, principalmente se tem o diagnóstico negligenciado. Por isso a importância da avaliação por hematologista que muitas vezes recorre à avaliação de medula óssea, exame corriqueiramente utilizado para o diagnóstico de leucemias agudas, mas importante para que seja realizada uma avaliação minuciosa de como estar a produção de sangue visualizando “a fábrica”. As neoplasias podem ser hematológicas ou de outros lugares que afetam de alguma forma o sangue podem causar neutropenia. Logo podemos concluir que a leucopenia pode ser um dos achados de neoplasias, inclusive leucemias agudas, mas não é a leucopenia causa de leucemia.
Felizmente a neutropenia na maioria das vezes são leves e provocam poucos ou mesmo nenhuma complicação clínica.
Lembro que em situações de febre e/ou sintomas infecciosos em pessoas com neutropenia, ou seja inferior a 1.000/mm3, pode ser uma situação de risco de vida. Logo sempre comunique ao seu médico e /ou procure atendimento médico nessa situação.
Monocitopenia
Assim como a neutropenia a redução da contagem de monócitos podem elevar o risco de infecção. Ela ocorre quando há redução a valores inferiores a 500/mm3 .
Dentre as causas de redução da contagem de monócitos destacam-se as provocadas por quimioterapia e infecções. Outras causas são neoplasias, geralmente hematológicas, e genéticas como ocorre em mutações de um gene chamado GATA2, que possui papel muito relevante na hematopoiese (produção do sangue).
Linfocitopenia
É a redução da contagem de linfócitos numa contagem inferior a 1.000/mm3 nos adultos. Como são células de grande importância na resposta imune, a redução dos linfócitos pode elevar o risco de infecções, principalmente virais ou fúngicas. Essas infecções podem ser recorrentes, o que chama atenção e pode levar da suspeição ao diagnóstico. Os linfócitos também não são células homogêneas, logo a deficiência de um subtipo pode ter determinada manifestação mais comum.
As causas podem ser genéticas, chamadas comumente de imunodeficiências primárias, ou podem ser adquiridas. Dessas últimas, as infeções são os principais motivos, inclusive o vírus HIV, que leva a redução de uma população específica de linfócitos, chamados CD4. Desnutrição severa também pode causar linfopenia, o que pode levar a infecções sérias.
O vídeo acima é uma animação que de forma simples e rápida explica um pouco sobre a leucopenia.
Se quiser saber mais…
Tem um manual em português que traz diversas informações sobre saúde. O manual tem a versão para pessoas comuns e outra para profissionais de saúde. Deixo o link abaixo para quem tiver a curiosidade para saber um pouco mais sobre os sinais e sintomas com linguagem simples e ilustrações.

Uma coisa que eu repito e é importante ficar claro é que toda redução de contagem de leucócitos deve ser criteriosamente avaliada.
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