As leucemias agudas são um grupo heterogêneo de doenças que comumente possuem a característica da proliferação anormal de células hematológicas imaturas, chamadas de blastos. A consequência disso é a progressiva substituição da medula óssea normal normal por células doentes e a consequente falência medular, ou seja, queda da contagem de plaquetas, queda dos neutrófilos e anemia.

O que é leucemia aguda?
Conforme afirmado anteriormente não se trata de uma doença somente. Existem diversos tipos de leucemias agudas. Classicamente é dividido 2 grandes grupos: leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide aguda. Essa classificação será utilizada aqui nesse texto para melhor compreensão.
Leucemia linfoide aguda (LLA)
É um conjunto de doenças em que a célula doente é o linfócito ou o seu precursor, chamado de linfoblasto. Existem 2 grandes grupo (não somente esses) de linfócitos: B e T. Logo pode haver leucemia linfoide aguda precursor B ou T. Cada uma delas possuem características peculiares e, apesar do tratamento ser parecido, o comportamento e o desfecho podem ser diferentes. A mais comum é a LLA B. A LLA é o câncer infantil mais prevalente, isso é refletido nas pesquisas que envolvem o tratamento, haja vista que um grande número de estudos foram realizados em crianças. Os tratamentos de pacientes adultos mais atuais acabaram por incorporar o sucesso do tratamento que foram evidenciados na faixa pediátrica. Porém o resultado do tratamento dos pacientes adultos ainda é significativamente inferior quando comparado ao sucesso da terapia em crianças.

O diagnóstico da LLA não costuma ser difícil e a simples avaliação laboratorial já leva a suspeição clínica confirmada pelo exame clínico e laboratorial realizado pelo hematologista. A confirmação do diagnóstico se dar pela verificação e quantificação dos linfoblastos. O aspirado de medula óssea (mielograma) é essencial, na maioria das vezes, pois o exame da medula óssea permite a coleta de exames que podem orientar o prognóstico, além da classificação do tipo de LLA.
Tratamento
O pilar do tratamento da LLA é a quimioterapia. Muito do que se sabe atualmente é fruto de sucessos terapêuticos alcançados pela combinação de diversos agentes quimioterápicos, chamado de poliquimioterapia. A quimioterapia é administrada por via venosa, oral e também por via intratecal. Ou seja, tem que haver a administração de quimioterapia diretamente no sistema nervoso central, no líquor, pois muitas drogas não são capazes de possuir nível adequado no sistema nervoso central apenas por meio da administração venosa. A não realização da quimioterapia intratecal leva ao aumento do risco de a doença retornar no sistema nervoso central o que pode comprometer o sucesso do tratamento.
O sistema nervoso central é um local considerado “santuário”, ou seja, pode “guardar” células malignas. Em meninos o testículo também pode ser considerado da mesma forma.
O transplante de células tronco é outro tratamento que pode ser útil em casos selecionados. Nos adultos, como muitas vezes o tratamento com quimioterapia isoladamente não possui um resultado satisfatório, é mais comumente indicado que em crianças. O transplante de células tronco costuma ser o alogênico, ou seja, a célula é coletada de um doador. Isso é tema para uma postagem específica, o que acha? Comente…
Leucemia mieloide aguda (LMA)
Distintamente da LLA, a LMA é mais comum em adultos. É um grupo de doenças cuja incidência vai aumentando com decorrer da idade. Como há o envelhecimento da população é esperado que ocorra aumento dos casos futuramente. No caso da LMA a célula doente é originária da medula óssea, não é o linfócito como na LLA.
As manifestações clínicas da LMA são consequência da infiltração da medula óssea por blastos malignos, por isso tem plaquetas baixas, anemia e neutropenia. Pode ocorrer sangramentos, principalmente por causa da contagem reduzidas das plaquetas, mas podem ser devido a distúrbios de coagulação também. Outras manifestações podem ocorrer pela infiltração de órgãos por células malignas.
Diagnóstico
O procedimento para diagnóstico é parecido com o da LLA. É necessária a avaliação de medula óssea, para confirmação do tipo de LMA e classificação. Exames genéticos e moleculares permitem conhecer melhor a doença, o que pode orientar o tratamento, procedimento esse que chamamos de estratificação de risco.
Tem um tipo específico de LMA, chamada de promielocítica, que possui tratamento totalmente diferente dos outros tipos. É o tipo de LMA em que possui mais sucesso nas taxas de cura apesar de muitas vezes ter graves sangramentos, principalmente nas fases iniciais.
Tratamento da LMA
O pilar do tratamento da LMA é a quimioterapia. Porém é importante reforçar que o tratamento possui toxicidade, isso vale para a LLA também. Daí é importante monitorar o paciente para o risco infeccioso e sangramentos. Nesse tipo de leucemia a quimioterapia intratecal possui menos indicações. Como é uma patologia mais comum em pessoas mais idosas é imperativo realizar o questionamento: qual o propósito do tratamento? Isso se faz necessário porque a chance de cura vai reduzindo a medida que o paciente é mais velho. Porém isso não quer dizer que não se pode fazer nenhum tratamento para o paciente mais idoso. Pelo contrário as drogas mais recentes tem permitido realizar o tratamento menos intensivo, que pode não ser definitivamente curativo, mas permite a manutenção da qualidade de vida na velhice.
O paciente idoso com LMA possui limitações para o tratamento intensivo, mas há terapias que fornecem boas taxas de respostas com manutenção de qualidade de vida.
O transplante de medula óssea também pode ser necessário em alguns casos específicos e selecionados. Há limitações desa terapia que possui restrições por conta da idade, disfunções orgânicas e disponibilidade de doador.
Informação
Informação sobre câncer de maneira geral é sempre importante, as leucemias figuram entre os 10 tipos de câncer mais prevalente nos EUA e no Brasil. Vide Ilustrações abaixo:


Apesar de não ser o tipo de câncer mais comum as leucemias possuem influência importante na qualidade de vida do paciente e devido a peculiaridade do cuidado podem também ter impacto no ambiente social e familiar. Infelizmente o diagnóstico ainda possui atrasos no Brasil e a informação é fundamental para modificar esse cenário.
Há entidades que apoiam familiares e pacientes tanto com informação como no suporte ao tratamento. Você pode também fazer parte dessa rede compartilhando informações relevantes.
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Geydson S Cruz é hematologista e aventura-se como editor do site hematonaweb.com cujo propósito é disseminar como conhecer um pouco mais da Hematologia pode ser legal!