Linfomas e o HIV

O que você sabe sobre a associação Linfoma e HIV

No início do mês fiz postagem sobre o Dia Mundial de Combate ao HIV/AIDS. Essa doença tem implicações importantes no sangue, o que é esperado por ser um vírus que infecta diretamente linfócitos. Porém, além de ter essa ação direta, o vírus pode favorecer o surgimento de neoplasias, dentre elas os linfomas.

Dia Mundial de Combate à AIDS é no dia 01 de dezembro.

A associação de agentes infecciosos e linfomas não é recente, mas dados atuais são publicados a todo momento sobre o mecanismo de transformação numa célula maligna. São reportados como possíveis causadores de linfomas o vírus Epstein-Barr (EBV), o HTLV, Herpes-8 (o mesmo causador do Sarcoma de Kaposi), bactérias como Helicobater pylori, que tem sido relatada no câncer gástrico.

Muito do interesse em pesquisar agentes virais e a associação com patologias malignas, entre outras os linfomas, advém do surgimento da pandemia por HIV e o relato de diversos pacientes com linfomas e o vírus.

O tipo de linfoma mais comumente descrito é o não-Hodgkin do tipo difuso de grandes células, mas o HIV levou a descrição de um tipo de linfoma que já era conhecida a relação com outro vírus, o EBV, trata-se do linfoma Burkitt. O linfoma Burkitt atualmente é descrito em 3 tipos o endêmico (bastante relacionado ao EBV), o esporádico e o relacionado ao HIV. Linfomas menos comuns como o Linfoma Plasmoblástico foram descritos mais recentemente e há forte relação com estados de imunossupressão tal como a causada pela AIDS.

Os linfomas Hodgkin são descritos em coinfecção com HIV, mas não está claro se há papel do vírus no surgimento do linfoma. Também parece não haver alteração entre o desfecho do tratamento e a presença do vírus nos portadores desse tipo de linfoma, o que não é verdadeiro para os portadores da associação linfoma não-Hodgkin e AIDS.

Mais recentemente, com o advento das terapias antiretrovirais de alta efetividade ocorreu melhora considerável no tratamento do HIV e assim permitiu também a evolução do tratamento dos linfomas com taxas de respostas cada vez mais satisfatórias, melhorando as taxas de sobrevida e a qualidade de vida de pacientes. Algo impensável anteriormente, como transplante de células tronco, hoje é realidade.

Faça o teste, pois a pior coisa que podemos fazer em relação a nossa saúde é não conhecer como de fato estamos. Os testes podem ser feitos gratuitamente de forma anônima nos CTA.

Dezembro é o mês de conscientização e prevenção ao HIV/Aids | Jornal Folha  de Videira
Centros de Testagem estão distribuídos em todo o país.

Para o diagnóstico de linfoma, independentemente se há co-infecção pelo HIV, é necessário o estudo histopatológico e imunohistoquímico da biopsia do material, geralmente linfonodo (gânglio linfático). Exames adicionais podem ser necessários, tais como tomografias para avaliar a extensão da doença, exames de sangue para verificar a comprometimento de outros órgãos, biopsia de medula óssea para se realizar o estudo desse órgão e verificar se há invasão, entre outros. Sorologias são essenciais antes do tratamento, tais como HIV, sífilis, HTLV, hepatites B e C com o objetivo de se verificar se há infecção concomitante por tais agentes infecciosos e realizar o tratamento específico, se for o caso.

Exame clínico é o primeiro passo na avaliação do paciente para o diagnóstico de doenças que acomete os gânglios linfáticos, entre elas os linfomas. Photo by Karolina Grabowska from Pexels

Aprendemos então que não devemos temer o diagnóstico de qualquer que seja a patologia, inclusive HIV, pois atualmente há tratamentos seguro e eficazes. Da mesma forma devemos ter sempre consultas periódicas com nossos médicos a fim de realizar exame clínico e laboratoriais, se necessários, para buscar possíveis alterações que podem significar problemas ou mesmo doenças. E claro que se notar algo diferente, como crescimento de gânglios, manchas consideradas atípicas, febre e sinais de infecção, perda ponderal inexplicada, entre outros, não hesite em procurar o profissional de sua confiança.

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Publicado por Hemato na Web

Esse o Canal de Hematologia - Hemato na Web, dedicado a divulgação científica e apresentação de temas interesaantes e relevantes que envolvam a Hematologia ou a Medicina em geral. O conteúdo é editado por mim, que sou hematologista e mestre em ciência da saúde.

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