Quando menos leucócitos estão circulando.

Saiba mais sobre a leucopenia.

A leucopenia é como definirmos a redução dos glóbulos brancos, os leucócitos, circulantes. Por si só não é uma doença e sim um achado laboratorial, ou seja, algo que é visto nos resultados de exames, no caso o hemograma, que destoa do que é considerado normal. Como todo exame laboratorial o hemograma possui valores de referência que são tomados como guia para que o profissional que está avaliando o resultado possa definir como normal ou anormal. Quando ocorre alterações no hemograma, na avaliação da série branca para ser mais específico, chamamos de leucocitose, se há o aumento dos glóbulos brancos, e leucopenia, se há a redução.

Redução de leucócitos é doença?

Nem sempre, mas a definição disso deve ser realizada por meio da investigação realizada por um especialista, no caso o Hematologista. Então a pessoa poderá ter a quantidade de leucócitos menor que a maioria das pessoas e não ter uma doença, mas antes de se concluir que se trata dessa condição clínica chamada por muitos de LEUCOPENIA CONSTITUCIONAL deve-se afastar se aquela alteração no hemograma não é algo mais grave que necessita de intervenção.

Quais as causas de leucopenia?

Infecções são as principais causas de leucopenia. Foto por Edward Jenner em Pexels.com

São diversas as causas de leucopenia. Pode ter como causa uma patologia infecciosa, uma doença de natureza inflamatória, um transtorno metabólico ou ainda ser manifestação de uma doença de natureza neoplásica. As causas infecciosas são as mais comumente referidas como origem de leucopenia. Infecções bacterianas graves, como nos quadros sépticos, podem levar a redução da contagem de leucócitos. Assim potencialmente qualquer infecção poderá levar a leucopenia, pneumonia, meningite, infecção urinária, infecções abdominais, entre muitas outras. Infecções virais também pode causar o mesmo achado, distintamente das infecções bacterianas, os casos até mesmo mais brandos. Dessa forma a gripe (influenza), dengue, rubéola, mononucleose e muitas outras infecções virais terão o achado da leucopenia presente no hemograma. Infecções causadas por fungos (histoplamose, criptococose, p ex.) e as parasitárias (leishmaniose, malária, p ex.) também ocasionam a leucopenia.

Veja também sobre a leucopenia no nosso Canal de Hematologia no YouTube.

Doenças inflamatórias são outra causa significativa na prática clínica de leucopenia. Sejam doenças agudas, como ocorre na pancreatite grave, ou doenças crônicas como nas vasculites. As vasculites e doenças reumáticas de origem autoimune são comumente buscadas na investigação de possíveis causas da redução dos leucócitos. O lúpus eritematoso sistêmico, a artrite reumatoide, doença mista do tecido conjuntivo, entre outras podem causar a leucopenia, principalmente se estão em atividade.

A investigação deve ser detalhada para afirmar que não é uma alteração mais grave.
Foto por Laura James em Pexels.com

Até mesmo distúrbios metabólicos de origem hormonal podem também ter a leucopenia como achado no hemograma, destaca-se o hipotireoidismo, quando a tireoide funciona menos que o devido, e na insuficiência de supra-renal (adrenal).

As neoplasias são, sem dúvidas, a principal motivação que leva o paciente ao médico hematologista para investigação. É importante, antes de tudo, dizer que A LEUCOPENIA NÃO CAUSA CÂNCER NEM LEUCEMIA. Por outro lado, a leucopenia pode ser o achado presente no hemograma de quem tem alguma neoplasia maligna, inclusive as leucemias. Assim leucemias, linfomas, infiltração maligna da medula óssea (fábrica do sangue) por outro tumor podem causar leucopenia.

Conhecia sobre a #leucopenia? Sabia das possíveis causas? Conhece alguém ou mesmo você possui? Comente aí… Daí a importância de se ter a investigação detalhada do achado laboratorial de leucopenia com o aprofundamento por meio de exames laboratoriais que podem ser necessários, inclusive por meio do mielograma e biopsia de medula óssea.

Que DOR é essa? Saiba mais sobre Herpes-Zóster

Herpes-zóster é tema de novo vídeo postado no Canal de Hematologia Hemato na Web lá no YouTube.

Herpes-zóster é uma doença infecciosa causada pelo vírus  Varicela-Zóster, o mesmo que é causador da varicela (catapora). Em alguns indivíduos o vírus alojado em nervos após uma infecção inicial tem o quadro reativado em determinado local. Por isso costuma acompanhar o trajeto do nervo.

A lesão de pele é um sinal comumente presente na reativação da infecção com a presença de vermelhidão, bolhas (vesículas) ou ainda crostas. Porém o que mais se destaca é o incômodo, não raramente incapacitante provocado pela dor. Isso se deve porque a infecção acomete diretamente o nervo, provocando dor, sensação de queimação, por vezes até mesmo prurido (coceira). O quadro clínico é tão incômodo que muitos reclamam até mesmo da dor provocada pelo simples contato da roupa.

Vídeo sobre herpes-zóster no nosso Canal de Hematologia no YouTube.

O tratamento, por ser uma doença viral, deve ser tratada com antivirais. Alguns pacientes possuem determinados fatores de risco que elevam a possibilidade desses terem episódios de herpes-zóster. São os idosos e portadores de transtornos imunossupressores incluindo aqueles que estão realizando algum tratamento que provocam algum grau de imunodeficiência, como é o caso de pacientes em tratamento oncológico. Situações como essas podem demandar a profilaxia seja com fármacos ou, mais recentemente, com vacinas.

Imagens de lesões por acometimento por Herpes-Zóster (Fonte: Medscape)

A vacinação no Brasil está liberada para pacientes maiores de 50 anos ou maiores de 18 anos que possuam algum estado de imunodeficiência. Não é disponibilizada ainda pelo SUS e pode ser utilizada inclusive naqueles pacientes que já tiveram herpes-zóster previamente.

Campanha do CDC nos Estados Unidos para informar à classe médica sobre a disponibilização da nova vacina para Herpes-zóster.

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A Hematologia que está no ENEM.

A Hematologia está no cotidiano da gente e por causa disso não é impossível vermos uma questão sobre o sangue no ENEM.

Trombose, anemia, coagulação são temas que costumeiramente ouvimos. Transfusão de sangue, transplante de células-tronco são outros exemplos. O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, é realizado anualmente e temas do cotidiano têm sido utilizados como fonte para questões das diversas provas, feitas por milhares de alunos de todo Brasil.

Sabendo da relevância do tema e que aquela pequena informação de um especialista pode servir como fonte de referência, resolvemos fazer um conteúdo sobre a Hematologia que já foi tema de questões de provas anteriores do ENEM.

A questão ao lado é um exemplo como temas relacionados ao estudo do sangue pode ser utilizado em uma questão. Na questão extraímos que a Eritropoietina é caracterizado como um tipo de doping, pois permite a elevação da quantidade de células vermelhas de forma artificial. Isso promove uma vantagem ao atleta que terá maio capacidade de entrega de oxigênio aos tecido.

Veja mais questões aqui

A Hematologia já foi tema de questões do ENEM.

Como afirmado acima, a prova mudou muito nos últimos anos, comparativamente aos primeiros exames, e temas relacionados com o cotidiano são preferíveis na elaboração de questões. A Hematologia enquanto área de conhecimento e estudo faz parte do nosso dia-dia e, assim, não estranhe de ter uma questão relacionada diretamente ou indiretamente a esse campo do saber na nas provas.

Segundo vídeo sobre a Hematologia e o ENEM.

Claro que o objetivo dessa postagem não é seguir como um curso pré-ENEM, mas servir de conteúdo para aquela pessoa que pode até estar se preparando para prova e gosta de curiosidades.

Então … segue aí curiosidades hematológicas.

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Gamopatia Monoclonal

Essa alteração sanguínea é uma malignidade?

Já imaginou uma situação em que ocorre o aumento da produção de anticorpos? Deve ser bom? Vamos detalhar essa situação conhecida como gamopatia monoclonal e que pode estar associada a alguns problemas sérios.

É certo que às vezes não sabemos o motivo, daí o nome Gamopatia Monoclonal de Significado Indeterminado (MGUS), porém outras vezes podemos estar diante de uma doença séria, como é o caso do Mieloma Múltiplo.

Outras doenças do sangue, como os linfomas, podem também causar gamopatia monoclonal. Nesse vídeo conversamos um pouco sobre esse distúrbio hematológico que nem sempre é doença, mas que deve ser acompanhado e avaliado por especialista, no caso o hematologista.

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Leucemia Promielocítica Aguda

A Leucemia Promielocítica Aguda (LPA) é um tipo característico de leucemia mieloide aguda, tambbém chamada de LMA M3., baseada na classificação anterior da FAB.

Promielócito é a célula leucêmica na LPA. (Foto: Wikipedia)

Epidemiologia

A LPA pode corresponder até cerca de 20% de todos os casos de LMA. É incomum em crianças até 10 anos de idade, passando a elevar-se em incidência a partir da segunda década de vida tornando-se constante durante a fase adulta. Há redução do número de casos a partir dos 60 anos de idade. Não á diferença entre os sexos.

Vídeo sobre LMA promielocítica no Canal Hemato na Web

No Brasil não há dados oficiais e estudos apontam estimativas que a LPA correspondem a 28,2% das LMA. (Bassi, SC; Rego EM)

Características Clínicas

Os portadores de LMA M3 possuem as menifestações clínicas princiaplemte devido aos sinais de falência medular, ou seja, oriundo da redução de contagem de plaquetas, da anemia e da neutropenia. Assim pode ocorrer fraqueza, tonturas por causa da anemia. Eleva-se o risco infeccioso devido a redução da contagem de neutrófilos e a trombocitopenia eleva o risco de sangramento.

Veja mais sobre Neutropenia Febril

O sangramento na LPA é de grande importância, pois é um dos motivos da elevada mortalidade nas fases mais precoces da doença. Isso ainda permanece uma preocupação aqui no Brasil, conforme mostra esse artigo. As causas do sangramento nesse tipo de leucemia são complexas e não é somente oriunda da redução de plaquetas. Envolve a hiperfibrinólise e coagulação intravascular disseminada (CIVD). A introdução precoce de ácido all-trans retinoico (ATRA) a fim de induzir a diferenciação das células leucêmicas e a efetiva instituição de terapia de suporte leva a melhora do sangramento.

Diagnóstico

O diagnóstico da LMA M3 não costuma ser difícil. Geralmente há grande suspeição clínica quando o paciente apresenta hemograma alterado associado a sangramento e / ou alteração significativa das provas de coagulação. A presença de blastos com características de promielócitos sugere o diagnóstico que deve ser confirmado por meio de exames de imunofenotipagem e genéticos-moleculares.

Exames em hematologia

A presença da translocação t(15;17)(q24.1;q21.2);PML-RARA é confirmatória da LPA. Há outros tipos de translocações também descritas, o que inclusive possui implicações terapêuticas, mas essas são incomuns.

Modelo do gene de fusão PML-RARa. (Foto: Medscape)

Emergência Médica

A LPA pode ser considerada uma emergência médica, haja vista que o rápido quadro clínico com manifestações hemorrágicas potencialmente graves podem levar a morte em questão de horas. Assim a elevada taxa de mortalidade precoce é oriunda dos sangramentos e isso faz que mesmo sem a confirmação diagnóstica de LPA o tratamento deve ser instituído com a suspeita clínica de se tratar dessa enfermidade hematológica.

Tratamento

O tratamento deve ser instituído o mais breve possível, às vezes antes mesmo da confirmação diagnóstica. Durante a avaliação que leva o diagnóstico o paciente é submetido ao que denominamos de estratificação de risco, ou seja, se ele é considerado baixo risco, risco intermediário ou elevado. A partir dessa verificação o hematologista realiza a programação terapêutica que determinará como será a programação terapêutica no longo prazo, ou seja, com mais ou menos quimioterapia. O transplante de células progenitoras não é uma conduta comum nesse tipo de leucemia, sendo reservado para situações bastante específicas, a ausência de resposta com o tratamento de primeira linha é uma delas.

Medicações como o trióxido de arsênio e ácido all-trans retinoico troxeram um salto na resposta ao tratamento da LMA M3, permitindo, dessa forma, elevadas taxas de remissão e cura.

Quando a saudade tem muito a nos ensinar.

Como a concepção sobre a morte e o morrer pode mudar nossa forma de agir e pensar.

A minha mudança de visão sobre a morte

Anualmente no dia 02 de novembro recorda-se, conforme a igreja denomina, os fieis defuntos, nós chamamos de dia de finados. É um dia de reflexão, em especial para nós médicos, que lidamos direta ou indiretamente com a morte no nosso dia-dia. Hematologistas, principalmente aqueles que acompanham pacientes onco-hematológicos, tem uma vivência com a experiência do morrer bastante próxima. Lembro-me que mudei bastante a forma de ver aqueles pacientes que morriam, inclusive as crianças. E o mais curioso é que o “insight”, a mudança de chave foi exatamente com uma criança. Contarei resumidamente a história.

Durante a minha residência de hematologia acompanhávamos igualmente paciente adultos e pediátricos, o que me permitiu após os 3 anos da especialização ter também a certificação de hematologia pediátrica. Confesso que foi um período bastante agradável trabalhar com os pequenos, afinal recordemos que as crianças e adolescentes curam em taxas mais elevadas que os adultos e idosos. Certa vez durante o seguimento rotineiro de uma criança que, infelizmente, não evoluía bem no seu tratamento e estava em paliação falou algo que demonstrava a maturidade daquele pequeno. Estava com a sua mãe e ele afirmou – “Mãe, existe gente que vem para aprender e outras que vêm para ensinar.” A mãe saiu imediatamente do quarto aos prantos como se estivesse certa da proximidade da separação do seu filho. Eu levei um choque ao perceber que ele estava ali me ensinando e que seu legado era gigante, apesar de pequeno.

É exatamente essa lição que carrego e divulgo para aqueles que acompanho no meu exercício como médico. É dessa forma que aponto para pacientes e familiares que estão a vivenciar a experiência da morte e do morrer, que lembremos do legado da pessoa. Essa é a minha mensagem para quem nesse dia de finados vem lembrar saudosamente do seu ente querido. Lembre-se do legado, das coisas boas que a pessoa fez, lembre também do que você aprendeu e, claro, do que você está ensinando.

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