A ANEMIA é, de longe, o principal problema que leva uma pessoa ao HEMATOLOGISTA! Segundo dados da OMS quase 2/3 das pessoas no globo terão anemia.
A saúde da mulher passa, entre outros fatos, pela necessidade de avaliação sanguínea periódica a fim de se avaliar presença de anemia. Foto por Christina Morillo em Pexels.com
Quase 60%, segundo alguns, das causas de anemia estão relacionados a estados carenciais NUTRICIONAIS. Mesmo estados carenciais, que levam a anemia, possuem causas distintas conforme a faixa etária.
Sabendo dessa informação o HEMATO NA WEB – CANAL DE HEMATOLOGIA, traz série de vídeos abordando a ANEMIA nas diversas faixas etárias. É uma série de vídeos com anemia na mulher em idade fértil, tema do vídeo de hoje, nas crianças, no idosos, entre outros. É importante saber que há distintas causas da anemia e, assim, o tratamento poderá ser distinto também.
Na MULHER em IDADE FÉRTIL o que chama atenção é a presença de ciclos menstruais que podem, a depender da intensidade provocar anemia em maior ou menor grau. Por outro lado, não são as únicas causas de anemias e isso deve ser considerado também. Nesse vídeo abordamos exatamente isso.
A anemia na mulher em idade fértil é o primeiro vídeo da série.
Anemia na faixa etária pediátrica!
A anemia possui avaliação distinta conforme a faixa etária. No vídeo de hoje abordamos como deve ser a abordagem nas crianças.
Diversas são as causas de anemias na faixa etária pediátrica, de longe as mais comuns são relacionadas à deficiência de ferro. Pode haver carência de ferro por causa da absorção reduzida, incluindo aí fatores nutricionais, ou seja a demanda por ferro é maior que os estoques ocorrendo assim a falta do elemento. Pode haver também por excesso de perda, como ocorre em transtornos gastrointestinais, que no casos dos pequenos se destacam aqueles provocados por parasitas intestinais.
Outras patologias podem ocasionar também a anemia em crianças como as doenças inflamatórias e as neoplasias, porém essas causas são menos comuns.
No vídeo abaixo sugerido você poderá saber um pouco mais sobre a anemia e suas causas na faixa etária pediátrica. Não deixa de seguir-nos também lá no nosso canal no YouTube.
Como de uma patologia invariavelmente fatal sem o transplante de células tronco passou a ter sobrevida semelhante a da população geral.
Imagine uma doença que não manifesta sintomas e que evolua gradativamente para um quadro clínico que passará a ter distensão do abdome por causa de significativo aumento de baço, perda de peso e fraqueza. A medida que a doença progride, sem o tratamento, passa a ter anemia, assim piorando a fraqueza. Isso faz o nosso paciente imaginário procurar um médico e ao primeiro momento de avaliação o profissional nota o baço e fígado aumentados. O paciente refere que esse processo vem há mais de um ano.
Isso mesmo muitos pacientes demoram de procurar assistência médica devido aos sintomas serem muito inespecíficos. Era assim há alguns anos e melhorou mais atualmente, mas a demora ainda ocorre.
Quando se realiza exames laboratoriais nota-se aumento do glóbulos brancos, dos neutrófilos, sinal comum nas leucemias mieloide crônicas em que, exceto pela quantidade de células, não há distinção na forma do leucócitos. Pode ocorrer alguns mais imaturos que outros numa situação que chamamos desvio à esquerda.
Um pouco de história…
A história dos casos de LMC como nós conhecemos é conhecida a partir da descrição de patologistas John Bennet e Rudolf Virchof em cerca de 1845. Naquela época eles descreveram quase que simultaneamente caos clínicos muito parecidos com o nosso exemplo em que pacientes possuíam aumento de baço e fígado além de leucocitose. Foi Virchow que cunhou o termo leucemia, sangue branco, e a LMC teve seu primeiro nome como Leucemia Granulocítica Crônica. Outra descoberta muito significativa foi realizada por Ernst Neumann, em 1872, que afirmou no seu relato que a leucemia era oriunda da medula óssea. Foi dele a ideia que temos hoje de uma célula-tronco da medula óssea.
John Hughes BennetRudolf VirchowErnst Neumann
Janet Rowley, cientista que descreveu que a translocação (9;22) era na verdade o achado genético da LMC
A história mais atual década dos anos 1960, quando um pequeno cromossomo foi descoberto a partir da análise de cariótipo de 2 pacientes com LMC, que era o cromossomo 22 mais curto. Esse achado viria ser chamado de cromossomo Filadélfia, por causa da origem de quem descobriu, apesar de relatos anteriores também já terem descrito o mesmo achado. Lembremos que estamos em 1960 e a comunicação não é como hoje em que rapidamente as informações são compartilhadas pelo mundo. Uma grande descoberta veio nos anos a seguir, em 1973, a partir da coloração de Giemsa e o cariótipo em bandas. Janet Rowley, de Chicago, foi quem descreveu e pasmem… ela teve o artigo rejeitado na tentativa de publicá-lo. Isso mesmo meu caro seguidor, não podemos desistir de primeira, ainda mais se sabemos da importância daquilo que estamos produzindo. Sua descoberta descrevias a constatação de outro cromossomo alterado, o 9, havendo assim o primeiro relato de uma alteração genética estabelecida em um tipo específico de câncer. A referida alteração é uma translocação e envolve a troca de material genético entre um cromossomo e outro. Posteriormente a avaliação molecular descreveu os locais mais específicos do cromossomo e foi assim o gene produto da fusão foi denominado de BCR-ABL1, que também depois foi visto que não era exclusivo da LMC. E para confirmar que esse gene estava envolvido na causa da LMC, a transposição do gene por meio de um vetor viral à camundongos provocava doença mieloproliferativa nesses.
A descoberta da dra. Janet Rowley foi negada a sua publicação em periódico médico de grande circulação.
E o tratamento…
O tratamento também passou por mudanças significativas. Na verdade, o sucesso do tratamento da LMC é buscado em outros tipos de malignidades a partir da descoberta de um gene que pode ser alvo de terapia específica como é o caso dessa doença.
Sir Arhur Conan Doyle
No início dos anos 1900 terapias como arsênico, radioterapia do baço. O primeiro foi utilizado em 1865, apesar de haver relatos de uso há mais de 2000 anos. Há um relato de caso clínico feito por Dr. Arthur Conan Doyle, isso mesmo, o escritor famoso por obras do Sherlock Holmes, descreveu uma situação em que a paciente foi tratada com arsênico e o desfecho não foi satisfatório, afinal não se conhecia aquela rara doença.
Outra modalidade de tratamento foi a esplenectomia, mas os resultados foram desastrosos, pois havia complicações hemorrágicas seríssimas no pós-operatório. A radioterapia foi outra possibilidade terapêutica utilizada, era uma inovação tecnológica, desde a descoberta da radioatividade buscava-se uso útil da novidade científica e a medicina não foi distinta. A radiação do baço provocava, principalmente naqueles pacientes com diagnóstico mais inicial, respostas clínicas, fazendo o paciente inclusive retornar às atividades diárias. Mas a radiação não modificava a origem da doença, tratava apenas os sintomas. Até mesmo depois da aceitação que as leucemias possuem origem na medula óssea foram instituídas novas formas de tratamento com a irradiação de outros lugares, mas a resposta dessa terapia foi muito limitada.
Tudo começou a mudar um pouco já em meados do século XX. Durante a I Guerra Mundial foi notado que agentes químicos utilizados em combate, como o gás mostarda, possuía efeitos hematopoiéticos, ou seja, afetava, no caso reduzindo, a produção de sangue. Outros compostos foram descobertos, seja nitrogenados ou sulfurados, no período entre guerras. O uso médico veio mesmo a partir do final da II Guerra Mundial, quando experimentos em pacientes com leucemias crônicas provocavam mielossupressão severa. Em 1956 foi introduzido um derivado aquilante, chamado de bulsufam, que após diversos estudos mostrava como uma ferramenta capaz de controlar eficientemente a LMC, mais conveniente que a radioterapia.
O bulsufam teve seu uso por longo período, até o início da utilização de hidroxiureia e interferon-alfa, ambas ainda disponíveis para uso atualmente, em situação raras e específicas. A hidroxiureia era capaz de provocar de forma mais segura que o bulsufam, que tinha toxicidade cumulativa significativa, o controle clínico da doença, ou seja dos sintomas, a partir do controle sanguíneo. O interferon-alfa, introduzido nos anos 1980, para o tratamento da LMC foi uma transformação para a terapia daquela doença, pois permitia, pela primeira vez modificação do tempo de sobrevida naqueles respondedores, pois era capaz de “mexer” na origem genética da doença, criando o conceito da resposta citogenética.
A difícil e custosa cura…
Apesar dos avanços terapêuticos progressivos que LMC assistiu na sua trajetória histórica, a palavra cura existia, mas num círculo bastante limitado de pessoas. Até os anos 1970 a LMC era incurável e invariavelmente fatal. O ponto de inflexão iniciou a existência no momento em que um tratamento, que para muitos seria um delírio ou mesmo um sonho maluco, tornou-se realidade. Estamos falando do Transplante de Medula Óssea, hoje conhecido como Transplante de Células Tronco. Como muitas coisas na Medicina ocorrem de forma incidental, algo similar também ocorreu com a LMC. Como assim?
O bulsufam, ao qual nos referimos anteriormente, é uma droga com perfil de toxicidade significativo e alguns pacientes que tinham a mielossupressão oriunda do uso do tratamento experimentavam também prolongada remissão da doença, alguns reportando até mesmo extinção parcial do cromossomo Filadélfia. Claro que foi tentado utilizar isso como se fosse uma esquema de quimioterapia, mas não deu resultado adequado. Faltava algo. Esse algo foi descrito por Goldman em 1986 quando lançou a pedra fundamental daquela terapia que seria a única curativa para LMC, o transplante. É ainda uma possibilidade de tratamento nos dias atuais, com uso bastante restrito e indicação cada vez mais criteriosa. Os primeiros resultados foram meio desapontadores, mas o aprendizado e a descrição do efeito GVL, como é conhecida a “batalha imunológica” da medula óssea saudável contra a doença o chamado “Enxerto versus Leucemia” seria também descrito como a chave da cura. Porém esse tratamento não estava ao alcance de todos, pois nem todos possuíam doadores e nem a idade que permitisse o uso dessa modalidade de tratamento.
A virada de chave
Como muitas malignidades a LMC tinha um tratamento para controle temporário da doença e uma possibilidade de cura, às custas de bastante morbidade e limitada a poucos. Estudos científicos em busca de medicações que poderiam inibir tirosinocinases tornaram-se realidade. As tirosinocinases são um grupo de proteínas do interior da célula que possuem diversas funções, mas comumente tem a capacidade de transmitir a informação da sua função por meio de fosforilação, ou seja, acrescentando fósforo. O gene produto da fusão dos genes BCR-ABL, envolvido na origem da LMC, possui atividade tirosinocinase, logo poderia ser uma alvo para medicamentos. O problema até então é que medicamentos que vinham sendo criados possuíam atividade inibitória bastante fraca ou inibiam também os sítios do ATP, uma reserva de energia para célula, e assim o resultado, como esperado, não seriam bons. Isso começou a modificar com a descoberta de medicamentos como ciclosporina e rapamicina que atualmente ainda são utilizados como imunossupressores e provocaram modificações substanciais na abordagem terapêutica da medicina de transplantes de órgãos. Isso despertou o interesse pela pesquisa e desenvolvimento de drogas que atuariam em proteínas envolvidas na proliferação celular, haja vista que muitas são dependentes de tirosinocinases. A primeira droga liberada com esse fim foi Imatinibe (chamado Gleevec) em maio de 2001, mas seu desenvolvimento data 1986 e seus estudos mais robustos iniciaram de fato no fim dos anos 1980, sob o nome STI-571. Somente em 1996 estudos clínicos em humanos iniciaram, daí podemos notar como é um processo de descoberta de uma molécula até o uso comercial dela pode demorar bastante tempo, e afirmo que a liberação do imatinibe, foi acelerada em relação a algumas outras drogas, devido a LMC ser considerada uma patologia sem tratamento adequado naquela época.
Resultados do primeiro estudo com o uso do imatinibe, mostrando a superioridade desse tratamento em comparação aos demais
O que nós temos depois do uso clínico aprovado nos EUA é a realidade atual, não mais história. A LMC teve uma mudança total da sua forma de tratamento, permitindo pacientes ter a sua vida similar àqueles que não possuem a doença.
Hoje dispomos de diversas drogas que podem ser utilizadas em primeira linha e em casos onde não há resposta adequada ao tratamento anterior. O transplante continua sendo uma ferramenta terapêutica em situações bastante específicas, mas pouco utilizada. Hoje a vida do paciente é melhor porque apenas com medicações orais pode se alcançar resultados antes impensáveis devolvendo ao paciente a possibilidade de trabalhar, realizar suas atividades normalmente. Ainda que seja necessário a realização de avaliações médicas regulares e exames laboratoriais isso é muito aquém de todo incômodo oriundo das terapias mais antigas.
A LMC teve uma mudança total da sua forma de tratamento, permitindo pacientes ter a sua vida similar àqueles que não possuem a doença.
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Denomina-se EOSINOFILIA a elevação acima dos valores considerados normais dos EOSINÓFILOS. Os eosinófilos são células do sangue, são um tipo de glóbulo branco, que atuam também na inflamação e imunidade. Os grânulos que possuem dão a coloração diferenciada pela afinidade ao corante eosina, daí o nome eosinófilo. No interior desses grânulos ocorrem diversas substâncias, que são mediadores inflamatórios, fatores de crescimento, citadinas, enzimas, inclusive RNAse (quebram RNA), sugerindo seu papel até mesmo no combate a determinadas infeções virais.
Por outro lado, os grânulos também são tóxicos se liberados de forma anormal, o que ocorre principalmente no contexto de elevação dessa célula. Por isso a EOSINOFILIA deve ser criteriosamente avaliada, não somente quanto a causa, mas também pelas possíveis sequelas que são oriundas da liberação patológica dos grânulos.
Vídeo sobre eosinofilia no Canal Hemato na Web
Muitos órgãos podem ter o comprometimento de s funcionamento por causa de eosinófilos. Dentre eles se destacam o coração, intestino, pele, entre outros. No coração, por exemplo, a eosinofilia pode causar sequelas graves como a ENDOMIOCARDIOFIBROSE, que compromete a qualidade de vida do paciente significativamente.
Alterações do coração podem ocorrer na eosinofilia. Foto por Luan Rezende em Pexels.com
O diagnóstico é suspeitado a partir da avaliação realizada por exame simples, o hemograma, que já foi tema de vídeo aqui no canal, é o exame que inicia toda a investigação, que poderá ainda contar com exames para avaliação hormonal, autoimunidades, doenças inflamatórias e neoplasias. A avaliação de medula óssea não é necessária em todos os casos, porém pode ser fundamental se há suspeita de doença primária da medula óssea, ou se há necessidade de se afastar o comprometimento desse órgão.
Para tratamento depende da origem da eosinofilia, que se há uma causa a correção da causa pode levar a normalização da eosinofilia. Pore’m se há doença da medula óssea pode ser necessária a terapia específica seja com quimioterapias ou inibidores tirosinocinase, que é uma ferramenta a ser utilizada em alguns casos, principalmente se há alterações moleculares.
Fique sabendo se a redução das células sanguíneas é causa ou consequência das Leucemias Agudas.
Sempre há o questionamento seja por parte dos pacientes ou dos familiares se anemia causa leucemia. Ou ainda se a redução de contagem de plaquetas é também uma doença que causa leucemia. Nessa postagem vamos abordar um pouco sobre esse relevante tema, que não raramente causa bastante confusão no senso comum.
O que é leucemia?
Na verdade LEUCEMIAS são diversas doenças que possuem em comum a característica de ser uma alteração clonal de origem genética que culmina na malignização da célula tronco (chamada leucêmica). A capacidade proliferativa nessas células torna-se diferenciada e isso possibilita elas se espalharem pelo sangue e outros órgãos numa velocidade maior as células normais. No caso das Leucemias Agudas a célula maligna é o blasto. O blasto com a sua capacidade de divisão maior que as outras células começa a comprometer a “fabricação” do sangue normal, ocupando espaço que não era para ser ocupado e reduzindo a produção de eritrócitos (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Tal situação denominamos de falência medular e se manifesta pela presença de anemia, leucopenia e trombocitopenia no hemograma que é a redução das hemácias, leucócitos e plaquetas, respectivamente.
Veja sobre isso nesse vídeo também.
Vídeo do Canal de Hematologia – Hemato na Web
Então percebe que a leucemia pode ocasionar a redução das células do sangue, conforme notamos na explicação acima. E o contrário pode ocorrer? Anemia causando leucemias?
A anemia é uma alteração BENIGNA que pode ser de origem adquirida, como é a deficiência de ferro, deficiência de B12, a anemia nas doenças crônica, entre outras ou ainda de origem genética como na anemia falciforme.. Assim não há relação direta entre anemias e leucemias. O que há, e isso que gera muita confusão, são determinadas situações e ocorrências clínicas onde existe o risco de transformação maligna para leucemias agudas e a anemia pode estar também presente nesse contexto. O exemplo mais comum é uma doença hematológica chamada de SÍNDROME MIELODISPLÁSICA (SMD) ou, simplesmente, MIELODISPLASIA. Nessa doença do sangue ocorre a produção inadequada de células do sangue e sabe-se que a mielodisplasia pode estar envolvido na origem das leucemias. Outra coisa que confunde é que na classificação da SMD há uma denominação chamada ANEMIA REFRATÁRIA, o que faz muitos pensarem que a anemia causa leucemia, mas que na verdade trata-se de uma classificação da SMD.
De fato pode ser trombocitemia essencial! Conheça sobre esse problema hematológico que eleva a contagem de plaquetas.
Quando a plaqueta está elevada?
A trombocitose é quando a contagem de plaquetas está anormalmente elevada. Isso ocorre quando no hemograma nota-se a contagem de plaquetas superiores a 450.000/mm3. Assim, quando porventura há o achado de valores superiores a essa referência deve-se avaliar a possível causa.
Apesar de muitas vezes negligenciada a contagem de plaquetas anormalmente elevada não é uma coisa que deve ser desprezado. Não raramente são encaminhados ao Hematologista pacientes quando a contagem de plaquetas supera valores de 1.000.000/mm3. Porém é importante que todos saibam que a partir de valores superiores a 450.000/mm3 é algo anormal.
Está alto, então é câncer?
Avaliação de rotina é muitas vezes o início do diagnóstico de Trombocitemia Essencial! Foto por Thirdman em Pexels.com
Anormal não significa que é maligno! Não é bem assim!. Inclusive a causa mais comum de elevação da contagem de plaquetas são problemas hematológicos benignos, como é o caso da deficiência de ferro e anemia carencial ferropriva.
Existem dois tipos de trombocitose. O casos reativos, também denominados de secundários são os mais comuns. Como o próprio nome define há algum problema secundário que eleva de forma reativa a contagem plaquetária. São situações como ocorrem após infecções, principalmente infecções crônicas, quadros inflamatórios, grandes queimaduras, deficiência de ferro, esplencetomizados, entre outros.
Quando não há nenhuma causa secundária que potencialmente provoca a elevação da contagem de plaquetas é o que denomina-se de trombocitose primária ou TROMBOCITEMIA ESSENCIAL. Mutações genéticas estão envolvidas na possível causa desse problema, dentre elas a mutação do gene JAK2 em quase 50% dos casos. Outros genes que estão envolvidos são o CALR, TPHO, MPL.
Nesse vídeo mostramos como é importante a avaliação da contagem de plaquetas, primeiro para confirmar o diagnóstico e tratar as possíveis causas reativas, que corrigirá o problema. Segundo, pois o diagnóstico de possível causa primária, ou seja oriunda da medula óssea, fará que a instituição de tratamento reduza a possibilidade de complicações relacionadas à elevação das plaquetas, como ocorre com o aumento do risco cardiovascular e trombose, por exemplo.
Vídeo sobre a trombocitose do Canal Hemato na Web
E o diagnóstico?
O diagnóstico se dá por meio de critérios que devem estar presentes. Obviamente a contagem de plaquetas elevada de forma sustentada é o primeiro critério a ser observado. A presença de mutações do gene JAK2 ou CALR é outro critério a ser observado, assim como a ausência de outras patologias hematológicas. Outros critérios menores também fazem parte, como a presença de aumento de megacariócitos em medula óssea e a ausência de doenças reativas que também podem provocar a elevação de plaquetas.
Mutação JAK2 é uma das alterações recorrentes na Trombocitemia Essencial
Uma vez realizado o diagnóstico, não significa que o tratamento será igual. Dependerá da presença de fatores de risco, destacadamente os cardiovasculares, mas também são observados a presença de mutações como JAK2 e CALR. A principal terapia é baseada em medicações citorredutoras como a hidroxiureia, que é a mais comumente adotada. O anagrelide é uma outra opção, seja isoladamente ou associado à hidroxiureia, principalmente em casos onde não há o adequado controle com a primeira droga. O inibidor da JAK2 é também uma possibilidade terapêutica em determinados casos. Em situações específicas o interferon-alfa pode ser necessário para o controle da contagem de plaquetas.
A trombocitemia essencial é uma doença hematológica clonal que faz parte do grupo das doenças mieloproliferativas, que também faz pare a mielofibrose e a policitemia vera. É uma doença da célula tronco.
Comente aí se você conhece sobre a trombocitemia essencial.