Mielofibrose, quando a medula óssea não o melhor lugar para produzir sangue!

Todos nós possuímos algum tipo de cicatriz, às vezes notamos como elas são diferentes em relação ao restante da pele. Muitas vezes é um pouco mais endurecida em relação ao tecido ao redor. Isso ocorre porque nessa região ocorreu um processo chamado de fibrose. Agora você imagina esse processo ocorrendo em um lugar que é responsável pela fabricação do sangue?

Bastante curioso não é? Isso é a mielofibrose e é sobre ela que nós vamos falar nessa postagem.

Você que acompanha o canal sabe que no mundo da hematologia existem diversas doenças, algumas mais comuns e outras mais raras. Umas mais fáceis de se fazer o diagnóstico, outras nem tanto. A mielofibrose é um tipo de doença do sangue que se caracteriza exatamente por muitas vezes ser de difícil o diagnóstico e reconhecimento. Não é uma patologia comum e isso também é um dos motivos de muitas os paciente chegarem ao hematologista com sinais clínicos nem sempre favoráveis ao hematologista.

Foto por Thirdman em Pexels.com

Daí a importância de você e outras pessoas sempre buscarem conteúdos como esse que levam informação relevante de forma compreensível para todos.

Vídeo sobre Mielofibrose do Canal Hemato na Web

Antes de falar sobre mielofibrose devemos voltar a nossa querida e magnífica medula óssea, esse órgão maravilhoso que fica no interior dos nossos ossos e de lá sai nosso sangue. Esse órgão é composto por diversos tipos de células que, por sua vez, possuem também diversas atribuições e funções. As principais células da medula óssea são as células chamadas hematopoiéticas, que são responsáveis pela fabricação, propriamente dita do sangue. É a partir da célula tronco hematopoiética que tem a produção de todas as células que estão circulando no sangue, como neutrófilos, monócitos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

Dividindo espaço com as células sanguíneas existem as chamadas células do estroma. Essas células servem de sustentação das outras células da medula óssea. Não somente a sustentação de forma estrutural, mas também do ponto de vista do fornecimento de substâncias que mantém a medula óssea funcionando adequadamente. Um exemplo simples dessa relação é o caso do eritroblasto que dará origem as hemácias recebe do histiócito, que é uma células do estroma o ferro, que será utilizado na formação da hemoglobina.

Uma outra informação que devemos saber é que nas doenças chamadas de mieloproliferativas crônicas, como a policitemia vera, que tem vídeo aqui no canal e você pode conferir, continua ocorrendo o amadurecimento de células de forma anormal, mas não ocorre a formação de blastos. São outras doenças mieloproliferativas a trombocitemia essencial a leucemia mieloide crônica, que já foi tema de vídeo aqui no canal também e a mielofibrose, que é o tema dessa postagem.

A mielofibrose, do mesmo modo das outras doenças mieloproliferativas crônicas, é uma doença da célula tronco hematopoiética, que por sua vez ocasiona alterações nas células do estroma, destacadamente o fibroblasto que, por sua vez, inicia a produção de substâncias cujo desfecho é o aumento de fibras de colágeno na medula óssea. Assim, a medula óssea passa a possuir um aumento de fibras que não eram para estar lá, situação que denominamos de fibrose – na medula óssea – mielofibrose.

A anemia e redução de outras células é um sinal comum na mielofibrose.

Como o ambiente da medula óssea, nessa situação, não é suficiente para a produção do sangue começa a ocorrer a produção de sangue em outros órgãos como o baço, por exemplo. Isso explica porque o baço aumenta bastante em pacientes portadores de mielofibrose. O exame de sangue pode conter elementos que não são normalmente vistos como é ocaso de precursores imaturos, situação que denominamos de sangue leucoeritroblástico.

Substâncias secretadas por esses elementos, assim como pelas células doentes podem fazer com que o paciente tenha sintomas tais como febre, emagrecimento importante, perda de apetite, entre outros. Em casos mais avançados o baço aumenta consideravelmente, tornando um verdadeiro incômodo para esses pacientes, tornando muitas vezes a qualidade de vida bastante comprometida. O aumento do baço juntamente com a progressiva piora da medula óssea leva a redução da contagem de células, fazendo que o paciente tenha anemia importante, leucopenia e redução das plaquetas.

Como outras doenças neoplásicas a mielofibrose tem origem em alterações genéticas da célula tronco.

A mielofibrose pode ser primária quando é originária de doença da célula tronco, mas pode ser também secundária quando há invasão por células estranhas a medula óssea como em metástases de tumores e até mesmo em doenças infecciosas tais como a tuberculose e histoplasmose. Há ainda a possibilidade de doenças do sangue evoluirem para mielofibrose, como na trombocitemia essencial.

O diagnóstico deve ser feita por meio da avaliação da medula óssea com a biopsia, citogenética e a pesquisa de alterações moleculares, que são também bastante importantes para avaliar se a doença possui elevado risco ou não. Um desses exames é a pesquisa da mutação Jak2, que está presente em quase metade dos portadores de mielofibrose.

A mielofibrose é mais comum na população idosa. Foto por Vlada Karpovich em Pexels.com

Infelizmente, apesar de melhoras no diagnóstico e na caracterização de risco, não houve melhoras significativas no tratamento. A única forma de cura é por meio do transplante de medula óssea do tipo alogênico que é difícil, pois muitos pacientes já são idosos, não possuem doadores ou são portadores de comorbidade que são impeditivas à realização do tranplante. Medicações como hidroxiureia, talidomida tem benefício no controle de sintomas, mas não são capazes de levar a alterações na evolução. Uma medicação mais nova são os inibidores do Jak2, como ruxolitinibe, que demonstrou em estudos redução do tamanho do baço, melhora de parâmetros de qualidade de vida e ganho de sobrevida em algumas situações. Na presente data o ruxolitinibe não está disponível no SUS. Há ainda pesquisas de outras moléculas que são esperadas trazer num futuro próximo melhores notícias aos pacientes com mielofibrose.

E aí você conhecia sobre a mielofibrose? Percebeu a importância de divulgarmos informação confiável sobre patologias como essa? Deixa seu comentário. Lembrando que se achou o conteúdo relevante não deixa de compartilhar para outras pessoas. Se gostou deixe evidente que gostou e considere seguir nosso site. Muito obrigado pela atenção.

Anticoagulação : o que é e para quê?

🧐 O que é?

É uma modalidade de tratamento médico com o objetivo de evitar a formação de coágulos no sangue 🩸.

O principal motivo que leva o médico prescrever terapia de anticoagulação é a ocorrência de trombose ou embolia.

Trombose é a formação anormal de coágulos no interior dos vasos sanguíneos. Tal ocorrência pode comprometer a circulação do sangue nos órgãos. Isso pode ser no local da trombose ou a distância quando ocorre a migração de fragmento desse trombo, que é chamado de êmbolo. Esse processo se chama de embolia e pode ter desfecho grave a depender do órgão afetado.

❓ Então, para que serve?

É parte do tratamento de trombose e embolia! Pode também ser parte do tratamento de doenças cardiovasculares, como no infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais. Sempre com o propósito de evitar a formação de trombos, que são coágulos anormais!

Existem atualmente diversos medicamentos anticoagulantes. As heparinas são bastante utilizadas, principalmente em internação hospitalar. Podem também ser utilizadas ambulatorialmente, em situações específicas. São de uso parenteral, ou seja, venoso ou subcutâneo. Há atualmente duas classes principais as não fracionadas e as heparinas fracionadas, conhecidas como de baixo peso molecular.

Os agentes cumarínicos são outra classe de drogas cuja função é ser antagonista da vitamina K. Essa vitamina é essencial para a fabricação no fígado de proteínas da coagulação. Sem essas proteínas ocorre a anticoagulação.

Mais recentemente surgiram classes de anticoagulantes mais novos com função de inibir diretamente a trombina ou o fator X ativado. Assim eles são inibidores diretos da coagulação.

⚠️ Tem riscos?

Sim! Não existe tratamento médico sem risco de eventos adversos! No caso da anticoagulação o principal risco é sangramento! Dessa forma, todo paciente e familiares devem ser orientados sobre essa possibilidade, inclusive da necessidade de tratamento de urgência!

Tem dúvidas e curiosidades sobre anticoagulação? Comente, compartilhe…

Rara, às vezes difícil diagnosticar, mas presente. Conheça sobre amiloidose.

Idosos são mais comumente diagnosticados com amiloidose que os mais jovens. http://www.instagram.com/hematonaweb

Amiloidose é um termo usado para nomear um grupo de doenças que são associadas ao acúmulo anormal de proteínas, muito das quais similares as que normalmente circulam no sangue. Há relatos de pelo menos 38 tipos proteínas capazes de levar a depósitos causando, assim, a amiloidose. Dessa forma, a amiloidose não é uma doença somente, mas um grupo de patologias que pode causar também manifestações clínicas diversas.

Alteração de conformação leva ao acúmulo anormal de proteínas.

Vídeo sobre Amiloidose! Confira e compartilhe…

Existem 3 grupos principais de amiloidose:

  • AL – amiloidose cadeia leve – produzida por plasmócitos
  • AA – Amiloide associado amiloidose – produto de degradação de SAA que é uma proteína relacionada a estados inflamatórios, produzida no fígado.
  • Beta amiloide – produto de degradação do precursor proteico amiloide depositada nas paredes de vasos cerebrais. Está na origem da doença de Alzheimer.
  • Outros tipos: Transtiretina, beta-2 microglobulina (diálise)
Depósito amiloide ocorre pela alteração estrutural da proteína que se acumula também de forma anormal. O depósito pode levar a lesão de diversos órgãos.

Por que acumulam?

As proteínas intracelulares são degradadas no proteasoma e as de fora da célula são degradadas por macrófagos. Tal mecanismo de controle parece estar comprometido nos pacientes que tem amiloidose.

No contexto clínico a amiloidose sistêmica pode ser classificada em primária ou secundária. Há ainda a amiloidose familiar ou hereditária que também pode acometer diversos órgãos. AL corresponde a 56% das amiloidoses sistêmicas seguido pela ATTR (transtirretina) 21 % e AA com 8%

A anormalidade na estrutura da proteína está na origem do depósito anormal.

A amiloidose AL é oriunda do depósito de fragmentos cadeias leves de imunoglobulina. É um distúrbio sistêmico, apesar de poder apresentar complicações de forma localizada. É quando ocorre o acúmulo de cadeias leves da imunoglobulina, um tipo de proteína da imunidade. Quando esse fragmento proteico tem a sua estrutura modificada, tornando-a distinta da normal e fazendo que se dobre a acumule de forma que leva a criação de placas. Essas placas são chamadas de depósito amiloide e é a origem de todo o problema na amiloidose, pois começa a interferir no funcionamento normal dos órgãos e tecidos. A amiloidose AL pode ocorrer de forma isolada ou como parte de um problema hematológico que leve a produção de proteína monoclonal, como é o caso do mieloma múltiplo.

Amiloidose AA, secundária ou reativa.

Tuberculose, osteomielite já foram as principais causas de AA, o advento de melhores tratamentos antibióticos tornou, nos dias atuais, as doenças inflamatórias, como artrite reumatoide (AR), espondilite anquilosante e doenças inflamatória intestinais, são as causas mais comuns de AA. Cerca de 3% de pacientes com AR tem AA. Também há relatos em usuários crônicos de drogas venosas. Outras neoplasias podem desencadear depósito amiloide tumores sólidos como o câncer renal e o linfoma Hodgkin.

E o tratamento? O tratamento depende, obviamente do tipo de amiloidose sistêmica. No caso da AL as terapias mais comumente utilizadas nos dias atuais são as mesmas que são parte do tratamento do mieloma múltiplo. Assim muito do progresso da terapia do mieloma múltiplo foi também visto na amiloidose AL. Por outro lado, é importante reforçar que o tratamento nem sempre é capaz de reverter dano de um determinado órgão, principalmente se já houve um comprometimento importante da função. Daí a importância de divulgarmos um tema relevante para que todos possam acessar o conhecimento.

Conhecia sobre Amiloidose? Comente…

Mieloma múltiplo, mais que uma simples dor óssea!

Mieloma múltiplo é uma doença hematológica caracterizada pela presença de lesões ósseas associada a anemia e não raramente insuficiência renal. É uma doença do Plasmócito, um tipo de célula de sangue em que a função principal é a produção de anticorpos. Por algum motivo, não completamente conhecido, ocorre modificações no DNA da célula, o que chamamos de mutação. Essas alterações ocasionam mudanças na forma do plasmócito expressar a sua verdadeira função e começa a produzir de forma anormal anticorpos, denominados de imunoglobulinas. O acúmulo desse tipo de proteína leva ao depósito anormal e pode ocasionar disfunção dos rins, podendo provocar insuficência renal. A célula anormal também tem capacidade de proliferação, ou seja, produz outras células anormais. Isso causa comprometimento da fabricação de outras células normais na medula óssea, que fica infiltrada. A expansão dessas células e a secreção de substâncias no ambiente da medula óssea faz com que os ossos se tornem progressivamente mais frágeis permitindo, dessa maneira, o surgimento de lesões chamadas de osteolíticas e de fraturas espontâneas.

Idosos são o grupo com maior incidência de Mieloma Múltiplo. Foto por Kampus Production em Pexels.com

É mais comum nos adultos mais idosos, sendo bastante infrequente nos pacientes com menos de 30 anos. Acometendo pouco mais homens que mulheres e mais negros que brancos, conforme dados americanos.

Como descobrir que tem Mieloma Múltiplo?

O diagnóstico deve ter alguns critérios para ser concluído como Mieloma Múltiplo (MM), um deles é exatamente a infiltração por plasmócitos clonais, como falamos anteriormente. Deve haver um percentual de 10% dessas células malignas. Além da infiltração da medula óssea deve haver a presença da elevação de algum componente monoclonal como é o caso das imunoglobulinas (anticorpos) ou a porção chamada de cadeias leves. A presença desses critérios define o MM, mas o tratamento deve ocorrer se há indicação clínica como ocorre quando há anemia, alterações dos ossos, aumento do cálcio e comprometimento da função renal. Atualmente mesmo na ausência desses sinais clínicos, mas com achados considerados de alto risco, como é o caso de mutações genéticas de alto risco, considera-se indicar o tratamento em casos específicos.

Alterações genéticas, mutações, estão na origem do Mieloma Múltiplo.

As principais manifestações clínicas do MM são a anemia, alterações ósseas, elevação do cálcio, disfunção renal, maior risco de infecções, tonturas, vertigens e zumbido oriundo de hiperviscosidade (”sangue mais grosso”). Sem dúvidas as manifestações ósseas como lesões líticas, fraturas até mesmo espontâneas e dor são as que mais levam os pacientes a buscar assistência e comprometem de forma significativa a qualidade de vida.

Nem sempre o MM se apresenta de forma típica. Há algumas apresentações que são menos incomuns, como é o caso do MM osteoesclerótico, em que distintamente ocorre o predomínio de lesões ósseas que não são líticas, sendo chamados de blásticas ou osteoescleróticas. Outra forma de manifestação é quando não há infiltração da medula óssea, mas os plasmócitos ficam reunidos como se fosse um tumor. Nessa situação denominamos de plasmocitoma extra-osseo. O curioso do plasmocitoma é que na ausência de critérios para o MM ele pode ser manejado de forma local sem medicações sistêmicas.

Exames em Hematologia que auxiliam no diagnóstico – saiba aqui.

Anemia (73%)
Dor óssea (58%)
Insuficiência Renal (elevação da creatinina) (48%)
Fadiga/fraqueza generalizada (32%)
Hipercalcemia (aumento do cálcio) (28%)
Perda de peso (24%)
Principais sinais e sintomas nos pacientes portadores de Mieloma Múltiplo. Adaptado de UptoDate

Tratamento está melhor?

O tratamento do paciente com MM teve progressos significativos desde final da década de 1990 aos dias atuais. Antes a terapia se restringia a quimioterápicos seguido de transplante de células tronco autólogo. Nem sempre o tratamento ocasionava resposta satisfatória que, por sua vez, levava o paciente ao transplante e a maior sobrevida. Pesquisas científicas e o melhor conhecimento da doença permitiram o uso seja de drogas antigas que teve a descoberta de grande atividade anti-mieloma, seja de novas drogas com maior potência e menos toxicidade.

Medicações venosas são utilizadas no tratamento que cada vez mais dispões de opções orais também. Foto por Anna Shvets em Pexels.com

Atualmente o tratamento do MM tem alguns pilares com o propósito de reduzir os sintomas, evitar complicações relacionadas ao problema principal e o tratamento específico. Assim se há manifestações ósseas e/ou do cálcio o pacente será provavelmente submetido a um tratamento com inibidor de osteólise, seja com bifosfonato ou monoclonal, a fim de reduzir os problemas relacionados ao componente ósseo da doença. O tratamento específico depende muito do estado do paciente além de comorbidades e da idade. O transplante de células tronco (medula óssea) autólogo continua sendo a principal ferramenta que permite o paciente ficar maior tempo sem evidência de doença. Assim o objetivo de muitos tratamentos continuam sendo levar o paciente ao transplante com menor quantidade de doença possível, idealmente ausente. Infelizmente, nem todos paciente são elegíveis ao transplante, por fatores que mencionamos antes, mas não significa que esses pacientes não terão tratamento. Pelo contrário, atualmente as drogas anti-mieloma possuem potência muito boa, permitindo respostas execelentes, capazes de provocar resposta completa, e muitas das medicações utilizadas nos pacientes que não são considerados para o transplante são as mesmas utilizadas nos pacientes que podem ser transplantados. Doença residual mínima negativa, que é a melhor resposta possível em pacientes com doenças oncológicas, é uma realidade com o advento de novas terapias para MM. Essas novas terapias são a talidomida e moléculas similares como a lenalidomida e pomalidomida, os inibidores de proteasoma como bortezomibe, carfilzomibe e ixazomibe e os monoclonais como daratumomabe e isatuximabe.

O tratamento de suporte continua sendo uma ferramenta bastante importante, principalmente nos momentos iniciais do tratamento, em que ainda há bastante sintomas e a terapia específica não teve seu efeito ainda otimizado. Dessa forma estimuladores como eritropoietina para anemia continua tendo bastante valor, assim como a adequada analgesia e os neuroprotetores. É bom destacar ainda que o MM é uma doença neoplásica que aumenta o risco trombótico que pode ser acentuado a depender do tratamento adotado, assim pode ser necessário a utilização de alguma terapia anticoagulante com o propósito de prevenir tromboses.

Qual tratamento adotar é resultado da avaliação clínica juntamente com opção do médico e o binômio paciente / família baseado nas características individuais e da programação no tempo.

Nada disso é possível sem o diagnóstico ser realizado e, infelizmente, o Brasil assiste uma número triste de pessoas com diagnóstico tardio de MM. Isso significa que muitos pacientes chegam em unidades de tratamento tendo passado por diversos profissionais e recebido diversos tratamentos sem ter realizado o diagnóstico adequado para instituição do tratamento correto e específico. Por isso a informação é crucial para que possamos oferecer o melhor cuidado e para isso existe esse canal de divulgação para que você possa saber um pouco mais sobre MM e outros conteúdos relevantes da hematologia e da medicina em geral.

Se quiser saber mais também tem, além do Canal de Hematologia – Hemato na Web, a IMF, uma instituição que fornece apoio para pacientes e profissionais de saúde acerca de MM.

O que é púrpura [manchas roxas]? É grave?

As púrpuras são manifestações cutâneas de sangramentos de pequenos vasos. A coloração arroxeada das lesões é que dá nome a esse sinal clínico que pode estar presente em diversas patologias. Apesar de ser sempre pensado na possibilidade de leucemias agudas, as manchas arroxeadas são comumente causadas por transtornos plaquetários ou vasculares.

O vídeo postado no YouTube introduz um pouco sobre as púrpuras. O mesmo faz parte de uma série de 2 vídeos que abordam esses fenômenos tão importantes na rotina do hematologista. As púrpuras, como mencionado acima, podem ser de origem vascular ou plaquetária. Em algumas situações pode ocorrer a presença de alterações tanto nas plaquetas como nos vasos.

Dentre as vasculares destacam-se doenças genéticas que tornam o vaso mais frágil e suscetível a maior possibilidade de sangramentos, como é o caso da telangiectasia hemorrágica hereditária. Às vezes temos púrpuras vasculares adquiridas, como ocorre na deficiência de vitamina C, o escorbuto. Sem dúvidas que são as vasculites que mais chamam atenção nas causas adquiridas. Maioria das vasculites possuem o cuidado sob responsabilidade dos reumatologistas.

Se quiser pode ver o vídeo Reumatismo no sangue! [Isso existe mesmo?]

Uma vasculite que também tem sido relatada é a Vasculite por IgA, também chamada de Púrpura de Henoch-Shönlein, que é um espectro da vasculite manifestada no vaso, mas pode acometer órgãos viscerais causando sangramento digestivo ou ainda sangramento na urina.

As púrpuras plaquetárias mais comumente são trombocitopênicas, ou seja, ocorre redução da quantidade de plaquetas. Por outro lado há o que denominamos de trombocitopatias em que a contagem de plaquetas no sangue periférico é normal, mas o funcionamento delas é ineficiente para a função normal. A causa mais comum de distúrbio plaquetário qualitativo é o uso de medicações que afetam o funcionamento plaquetário, como faz o antiagregante plaquetário.

Antiagregantes plaquetários são muito utilizados atualmente como parte de tratamento de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, por isso é importante sempre ficar atento e comunicar ao seu médico.

Estamos também no Odysee, um ambiente descentralizado e ainda você pode ganhar assistindo vídeos! Confira: https://odysee.com/@hematoinweb:e

Policitemias, quando há “sangue demais”!

Policitemias são o aumento provocado ou não das células vermelhas no sangue.

Policitemia é o aumento da massa eritrocitária no sangue, ou seja, a elevação da quantidade de células vermelhas. Por algum motivo ocorre o acréscimo além do normal dos glóbulos vermelhos circulantes e isso pode ocasionar complicações.

Esse é o tema do novo vídeo lá no Canal de Hematologia – Hemato na Web no YouTube

Glóbulos vermelhos são aumentados nas Policitemias.
Foto por Roger Brown em Pexels.com

Existe a policitemia secundária é quando há um motivo que provoca a elevação dos eritrócitos. Geralmente há aumento da secreção de eritropoietina, um “hormônio” que é liberado principalmente pelos rins em resposta à anemia e hipoxemia. Assim ela eleva-se em casos de pacientes com doenças respiratórias graves, maioria das anemias, doenças cardíacas graves, entre outras e, consequentemente, provoca o aumento da liberação de glóbulos vermelhos da medula óssea.

Quando o aumento não possui um estímulo evidente trata-se de Policitemia Primária ou Policitemia Vera (PV). Mais que 90% dos casos de PV possuem a presença da mutação do gene JAK2. Dessa forma, a pesquisa da mutação por meio de exame molecular pode ser usado no diagnóstico.

Avaliação da medula óssea faz parte da abordagem diagnóstica das policitemias.
Foto por Chokniti Khongchum em Pexels.com

O diagnóstico das policitemias devem considerar a história clínica detalhada com exame físico (detalhada mesmo, até o padrão de sono deve ser interrogado!), antecedentes médicos e cirúrgicos. Exames complementares para avaliação do funcionamento dos pulmões, oxigenação, circulação, dosagem de eritropoietina são também importantes para auxiliar na distinção entre policitemia primária e secundária. A pesquisa de mutação do gene JAK2, biopsia de medula óssea, estudo citogenético são fundamentais na avaliação das policitemias, assim como a pesquisa do BCR-ABL1, que apesar de ser diagnóstico da Leucemia Mieloide Crônica, deve ser negativo na PV.

O principal objetivo do tratamento é reduzir a massa eritrocitária a fim de se minimizar os riscos de complicações, principalmente cardiovasculares. Esse risco costuma ser aumentado se o paciente é portador de comorbidades como diabetes mellitus, hipertensão arterial doenças circulatórias, por exemplo. Assim flebotomias (sangrias) terapêuticas são costumeiramente prescritas. Pode também ser necessário fármacos para reduzir a proliferação de glóbulos vermelhos, como é o caso da hidroxiureia, um dos mais comumente prescrito.

Já foi falado sobre isso no site

Você sabe o que é Policitemia?

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