Quando infecções são associados aos linfomas.

Especial Agosto Verde [#agostoverde]

Aumento dos gânglios são sinais mais comuns nos casos dos linfomas

Esse mês de agosto é lembrado por nós hematologistas como um momento de importante apelo à conscientização do diagnóstico e tratamento dos linfomas. Como objetivo do canal já foi divulgado aqui algumas informações relevantes sobre esse grupo tão diverso de doenças que acometem o sangue e órgãos linfoides.

Outra coisa muito interessante e nem sempre lembrada é a associação de linfomas com problemas e algumas doenças infecciosas.

Não é que os linfomas são contagiosos e muito menos significa que todos que possuem determinada infecção em que eu vou me referir terá essa doença também, porém é importante a fim de se ter informação, pois informação sempre é bom e nunca é demais.

HTLV

O HTLV é um vírus da família dos retrovírus, ou seja, é um vírus de RNA que possui uma enzima que converte a o material genético em DNA ao infectar a célula. A célula infectada é o linfócito T CD4, semelhante ao seu “parente” mais conhecido, o HIV. HTLV é a sigla em inglês para vírus linfotrópico de células T humana e é o agente causador do linfoma/leucemia de células T do adulto (ATLL).

Esse tipo de doença possui apresentações variáveis desde quadros oligossintomáticos a situações semelhantes a leucemias agudas com manifestações graves. Infelizmente é uma doença muito agressiva muitas vezes e bastante limitada do ponto de vista de terapias. Como é relacionada ao vírus ela é endêmica em determinadas regiões do mundo como alguns países do continente africano, Japão e aqui no Brasil. Cidades como Salvador e Rio de Janeiro destacam-se aqui no nosso país em número de casos.

Os linfócitos são as células que são infectadas por retrovírus como HTLV e HIV

Nem todo mundo que possui o vírus terá ATLL, pelo contrário a taxa de surgimento de linfomas e leucemias é baixa. Apesar de não haver nenhum tratamento específico para o vírus, algumas medidas devem ser tomadas a fim de se evitar transmissão haja vista que o vírus pode ser transmitido por via sexual e vertical de mãe para filho, inclusive por meio da amamentação. Por isso é fundamental a divulgação e orientação ao acesso de todos, um dos campos de atuação do nosso canal junto ao público em geral, favorecendo o fácil acesso à informação confiável.

HIV

O vírus que é causador da síndrome da imunodeficiência humana adquirida (AIDS) o HIV, assim como o HTLV, é um retrovírus cuja célula infectada também é o linfócito T CD4. O HIV não provoca linfoma por si, porém o estado imunitário deficiente que ele provoca leva ao risco de surgimento de neoplasias, dentre outras o linfoma. Assim o paciente portador de HIV, principalmente os que não estão com o tratamento adequado, ocasionando mais elevadas cargas virais e menor número de células CD4, podem cursar com linfoma. Linfomas do sistema nervoso central, primário de derrame cavitário, plasmablástico, Burkitt relacionado ao HIV, são exemplos de doenças que podem cursar concomitante ao quadro de AIDS. Linfomas difuso de grandes células B e até mesmo linfomas de Hodgkin podem ocorrer também.

É importante lembrar que muitas vezes o diagnóstico de HIV é realizado por meio da avaliação diagnóstica de paciente com linfoma, pois a avaliação da presença de infecções virais faz parte da rotina de antes de se iniciar a terapia. O tratamento do linfoma costuma ocorrer em conjunto com a terapia antiretroviral, que ultimamente tem se tornado cada vez mais tolerável e permitido melhores respostas. Mas muitos dos linfomas associados ao HIV ainda possuem prognóstico limitado.

EBV e outros herpes vírus

O vírus Epstein-Barr é o causador da mononucleose infecciosa e está associado a diversos linfomas.

O vírus Eptein-Barr é relacionado a etiologia de diversos linfomas. Isso se dá pela capacidade desse vírus, causador da mononucleose infecciosa, inserir material genético em células que podem ficar adormecidas por anos. Uma vez as células são expostas a situações que levem a transformações adicionais pode ocorrer a chamada linfomagênese.

O vírus EBV tem sido associado ao linfoma Hodgkin, Burkitt endêmico, NK tipo nasal. Não se conhece detalhadamente os motivos que levam uma célula a tornar-se malignizada, mas sabe-se que um dos motivos pode ser a incapacidade dos linfócitos T reconhecer a célula tumoral por mecanismos de “escape”

H.pylori

Não somente vírus provocam doenças malignas, algumas bactérias podem fazer isso também. Um exemplo de bactéria que é associada a um tipo de linfoma chamado MALT é a Helicobacter pylori. A mesma bactéria também está relacionada a origem do câncer gástrico. Não significa que todos os pacientes que possuem ou trataram para a H. pylori terão o diagnóstico de linfoma gástrico.

O diagnóstico do linfoma associado a mucosa gástrica costuma ser concluído a partir da biopsia de lesão intragástrica. Algumas situações o tratamento da doença gástrica com antibióticos pode provocar a remissão da doença, mas quase sempre é necessário o tratamento com quimioterapia antineoplásica.

Agentes infecciosos também são descritos associados a linfoma marginal esplênico, de mucosa conjuntival, que são menos frequentes.

Se quiser veja o vídeo sobre esse tema muito interessante

E aí? O que achou desse tema? Você sabia que alguns vírus e bactérias podes causar linfomas? Deixe então o seu comentário. Lembre-se também que se você achou esse conteúdo relevante avalie como legal e compartilhe para quem pode interessar. Se quiser envie e-mail para contato@hematonaweb.com.

Lembre-se que conhecimento nunca é demais e é algo que ninguém vai tirar de você. Muito obrigado e até a próxima vez…

Leucemia mieloide crônica: um paradigma de evolução “Made in Biologia Molecular”

Quando um defeito genético adquirido da célula tronco leva a proliferação anormal de células sanguíneas essa é a Leucemia Mieloide Crônica, também chamada de LMC, mas que doença é essa? Como é o diagnóstico e evolução?

Introdução

É um tipo de leucemia caracterizado pela translocação recíproca entre cromossomos 9 e 22 (Cromossomo Filadélfia). Isso leva a formação de uma oncoproteína de forma constitutiva chamada BCR-ABL1. Estima-se que ocorrem 10-15 milhões de casos por ano e não há grandes diferenças entre as regiões e etnias.

É importante relatar que houveram modificações significativas após a introdução de inibidores da atividade tirosino cinase. Esse avanço somente foi possível devido ao acúmulo de conhecimento oriundo de pesquisas principalmente da área genética e da biologia molecular.

Considerada atualmente uma patologia crônica que necessita tratamento prolongado objetivando a resposta profunda a LMC possui sobrevida muito próxima das pessoas sem a doença. O grande objetivo atual do tratamento é permitir uma adequada qualidade de vida aos portadores da doença.

Evolução

A LMC possui uma característica peculiar que é a possibilidade de evolução à fases bem distintas. A maioria dos pacientes são diagnosticados no que se denomina como fase crônica, onde a principal característica é o aumentos das células que são indistinguíveis das células normais. Pode ocorrer elevação de células mais jovens, mas os blastos não são comumente notados. A fase posterior ao que denomina-se como fase crônica é a chamada fase acelerada. Essa se caracteriza pela presença maior de células mais jovens, a deterioração clínica do paciente com surgimento de sintomas e, quando está em tratamento pode começar a apresentar falha na resposta. Por fim a última fase é caracterizada pela presença de células mais imaturas e elevação da contagem de blastos, daí o nome de fase blástica. A presença desse último tipo de célula pode fazer que a apresentação clínica do paciente seja similar a uma leucemia aguda. Nem sempre é possível flagrar a evolução em fases distintas, ou seja, o paciente pode se apresentar em qualquer uma das fases sem ter sido notado previamente a presença de fase anterior. Felizmente o tratamento atual tem permitido a redução da evolução da LMC em fases mais avançadas.

Sintomas

A sintomatologia comumente encontrada naqueles pacientes ao diagnóstico são é a fadiga, sudorese noturna, perda ponderal e até mesmo ataque de gota. Esplenomegalia (aumento do tamanho do baço) pode estar presente em 50%-90% dos pacientes ao diagnóstico e pode causar sintomas. Complicações trombóticas e hemorrágicas são bem menos frequentes.

Hiperleucocitose, quando ocorre mais que 50.000/mm3 leucócitos, não costuma ser sintomatologia frequente devido ao fato das células serem pequenas, semelhantes às células maduras normais. Contudo em algumas situações o aumento expressivo dos leucócitos pode provocar hemorragias retinianas, priapismo, por exemplo. Progressão da doença levará maior severidade de sintomas denominados constitucionais, incluindo febre, sudorese noturna, perda ponderal sangramentos e dores ósseas.

A partir de avaliação médica rotineira é possível notar alterações do hemograma que levam a suspeição da LMC. Foto por Gustavo Fring em Pexels.com

Ao se realizar exame sanguíneo é esperado a leucocitose às custas de neutrofilia, mais de 50% dos pacientes apresentam ao diagnóstico com 100.000 leucócitos/mm3 ou mais. Blastos não é um achado notado rotineiramente ao diagnóstico. Anemia pode estar presente em cerca de metade dos pacientes e trombocitose (aumento de quantidade de plaquetas) é um achado também comumente relatado em aproximadamente 1/4 dos casos no momento do diagnóstico.

Outras alterações bioquímicas podem ocorrer e aí destacam-se aqueles marcadores de proliferação como é o caso do ácido úrico e dos níveis de (desidrogenase láctica) LDH.

Diagnóstico

A partir da suspeita clínica e dos achados de exames preliminares o diagnóstico é feito a partir da confirmação da presença do gene BCR-ABL1, seja por meio de citogenética convencional FISH ou biologia molecular. A citogenética é confirmatória em 95% dos caos, sendo que o restante é diagnosticado por meio de exames moleculares.

Por ser uma doença genética a LMC tem por grande exame diagnóstico a avaliação citogenética. Seja por meio de exames cariotípico, do FISH ou por meio da biologia molecular

Veja mais sobre exames comumente solicitados pelo hematologista!

Tratamento

Tratamento com inibidores tirocino cinase é a primeira opção.

  • Primeira geração
    • Imatinibe
  • Segunda geração
    • Dasatinibe
    • Nilotinibe
    • Bosutinibe
  • Terceira geração
    • Ponatinibe – unicamente aprovado para 2ª ou mais linhas terapêutica ou quando há mutação T315I.
O tratamento é contínuo e não deve ser interrompido nunca sem a autorização do médico!

Todas essas moléculas são administrados por via oral, ou seja, sem agulhas, sem quimioterapias agressivas e sem necessidade de transplantes, algo que era a orientação terapêutica até alguns anos atrás. Ainda hoje é necessário, em poucos casos, a administração de interferon que é por meio de injeções subcutâneas, mas isso é exceção.

Monitoração

Não basta apenas tratar o paciente portador de LMC, é necessário também acompanhar rigorosamente a evolução. Assim nos pacientes o objetivo é provocar a melhor resposta possível, que é a a ausência de evidência de doença, por meio da negatividade dos exames moleculares, o que denomina-se de Resposta Molecular Completa. Sabe-se que muitas vezes a ausência de evidência não significa a evidência da ausência, assim exames negativos não significam o fim do tratamento. Dessa forma mesmo com resultados excelentes o tratamento não deve ser suspenso, nem relaxado. Há estudos que apontam segurança na suspensão de tratamentos baseando-se no seguimento de etapas bem rígidas e específicas para isso além clar de ter que se manter o acompanhamento laboratorial rigoroso, a fim de detectar possíveis recidivas, ou seja, o retorno da doença. Apesar de retornar em algumas situações o tratamento costuma ter boas respostas após a reintrodução do tratamento.

Felizmente o tratamento atual com os ITK permite afirmar que a causa de morte nos paciente portadores de LMC raramente é a própria LMC, bastante distinto daquilo de poucos anos atrás.

O seguimento do tratamento da LMC é por meio de exame molecular BCR-ABL no sangue periférico.

Concluindo…

E aí? Gostou desse tema? O que você achou disso tudo? Comente aí.

Conhece alguém que tem LMC e tinha todas essas questões sobre essa doença e sobre o tratamento? Então mais uma vez clica no botão de legal e compartilhe para quem pode interessar. Aproveita e veja também outros conteúdos no nosso canal do YouTube. Lembre-se que conhecimento nunca é demais e é algo que ninguém vai tirar de você. Muito obrigado, até a próxima vez e fique bem.

Doação de sangue, como é e para quem?

Dia 14 de junho é o dia mundial do doador de sangue, mas todos dias são adequados para sua doação!

Estoques baixos são uma realidade no Brasil, onde o brasileiro ainda infelizmente não possui o hábito de doação regular de sangue. A doação é a única forma de se obter o estoque adequado desse importante bem, afinal ainda não há substitutos ao sangue.

Foto de campanha anterior do Hemato na Web.

Baseado nesses dados de carência de fornecimento de componentes do chamado ciclo do sangue foi criado em 2005 pela OMS e entidades como a Cruz Vermelha Internacional para dar visibilidade da importância da manutenção de cadeias de fornecimento, inclusive do ponto de vista de segurança, além de agradecer à solidariedade dos doadores.

Anualmente, como é de costume em datas comemorativas relacionadas à saúde há um tema e do ano de 2021 é: “Doe sangue para que o mundo continue pulsando

Dor sangue para manter o mundo pulsando!

Como doar?

Para doar o primeiro passo é ter a intenção. Dirigir-se ao banco de sangue e realizar o cadastro. Após cadastro e preenchimento de dados de saúde é realizado triagem clínica e laboratorial para que o candidato a doador seja considerado apto à doação. Veja detalhes no vídeo abaixo.

Curiosidade

O dia mundial do doador é comemorado anualmente no dia 14 de junho homenageando o vencedor do Prêmio Nobel, Karl Landsteiner. A partir de suas descobertas foi possível realizar a transfusão sanguínea de forma mais segura, algo que não era possível antes da descoberta dos grupo sanguíneos, notavelmente o ABO. O médico austríaco nasceu em 14/06/1868.

Karl Landsteiner, premiado com Nobel pela descoberta dos grupos sanguíneos.

Junho Laranja e o combate à anemia

Esse mês a Hematologia unida busca a solidariedade de todos em prol da conscientização das anemias e das leucemias.

Essas duas alterações sanguíneas são distintas, mas ambas merecem grande relevância. A primeira, anemia, é talvez a alteração mais comum no mundo. A OMS estima cerca de 1 bilhão de pessoas com anemia moderada ou grave por deficiência de ferro que, juntamente com outras alterações nutricionais, são as causas mais comuns de anemias no mundo.

Anemia é a redução dos glóbulos vermelhos.

A anemia possui diversas causas, além da já referida carência nutricional. O importante é que a pessoa portadora de anemia tenha a devida investigação clínico-laboratorial a fim de se permitir o adequado diagnóstico do motivo que está levando à anemia. Isso mesmo, na maioria das vezes a anemia não está sozinha e ela faz parte de um quadro clínico causador. Veja exemplos abaixo:

  • Perda gastrointestinal de sangue como ocorre nas gastrites, úlceras, parasitoses intestinais e neoplasias;
  • Má absorção de elementos nutricionais como ocorre em intolerâncias alimentares, doenças celíaca, enteropatias perdedores de proteínas;
  • Perda sanguínea excessiva por causa de sangramentos crônicos e perda menstrual excessiva;
  • Entre outros.

A causa da anemia depende também da faixa etária, ou seja, a anemia que é presente mais comumente nas crianças é distinta daquela que mais comum nos idosos. Dessa forma, a avaliação do médico deve levar em consideração esses fatores além de também, a partir de conversa detalhada, buscar possíveis fatores de risco para a anemia. Há ainda certas anemias em que as pessoas possuem o herança genética, como é o caso das talassemias e dos transtornos falciformes. Veja sobre anemias hereditárias no vídeo abaixo.

Sintomas

Os sintomas mais comumente relatados pelo paciente com anemia são:

Fraqueza é um dos sintomas de anemia
Foto por omar alnahi em Pexels.com
  • Fraqueza
  • Cansaço
  • Palidez
  • Palpitação (sensação de aceleração do coração)
  • Dificuldade de concentração
  • Irritabilidade e cefaleia (dores de cabeça)
  • Tonturas
  • Alterações alimentares
  • Amenorreia (parar de menstruar), entre outros

Outros sintomas que podem estar presentes são aqueles provocados pelo que está causando a anemia, ou seja, cólicas, dores abdominais, vômitos, sangramentos, por exemplo.

Diagnóstico

O diagnóstico de anemia não costuma ser difícil. O que é muitas difícil é achar o que está provocando a anemia. O hemograma confirma a anemia, porém exames adicionais podem ser necessários para a busca do motivo causador. Então pode ser necessário:

  • Dosagem de ferro e proteínas do metabolismo de ferro;
  • Avaliação de função hepática e renal;
  • Provas de hemólise (destruição precoce da hemácia);
  • Avaliação de medula óssea;
  • Endoscopia digestiva alta;
  • Vídeo-colonoscopia;
  • Exames de imagem como Ultrasonografias e tomografias;
  • Histeroscopia, entre outros
Exames em hematologia

Tratamento

Alimentação e estilo de vida saudáveis, são aliados no combate à anemia.
Foto por Buenosia Carol em Pexels.com

Como você já deve imaginar o tratamento dependerá da causa que está levando à anemia, assim se há deficiência de ferro esta deverá ser corrigida juntamente com fator desencadeador, excetuando-se obviamente as anemias de origem hereditária. Assim se há perda sanguínea uterina excessiva devido a uma miomatose uterina essa última também deve ser abordada, sob risco de retornar a anemia, por exemplo. Tal conduta também serve para outros fatores causadores.

Automedicação é sempre um risco à saúde. Foto por Pixabay em Pexels.com

Nunca se automedique, busque alimentação e estilo de vida saudáveis e recorra a ajuda especializada se necessária.

Compartilhe essa e outras informações.

Veja nosso Canal no YouTube e ouça também nosso podcast, disponível no Spotify e outros agregadores.

E… Começamos

Iniciamos nesse mês mais uma etapa do projeto Hemato na Web a realização do Banco de Sangue Podcast. Trata-se de uma iniciativa da canal para ser mais um meio de divulgação em um tipo de mídia que tem crescido de forma significativa nos últimos anos e é um tipo de divulgação na qual acredito e literalmente sou fã há um certo tempo. Desde quando ninguém sabia do que se tratava eu já ouvia a imaginava como fazer parte desse mundo.

E estamos aqui com nosso primeiro episódio. Antes de tudo é importante reforçar que “feito é melhor que o perfeito não feito.” Por isso lançamos o Banco de Sangue e espero que aprendamos muito juntos.

Necessito que você faça as avaliações acerca do nosso produto e se achar também que é importante sugira temas que podem se tornar conteúdos.

Deficiência de ferro e alopecia

Alopecia e ferro tem associação?

A resposta a essa indagação é sim! Ferro pode estar associado a queda de cabelo e alterações da pele, unhas e mucosas. Isso porque o ferro é parte essencial para esses tecidos e assim nos estados carenciais podem ocorrer alterações na regeneração tecidual

Queda de cabelo pode ser um dos sinais presente na deficiência de ferro. Foto por Moose Photos em Pexels.com

Metabolismo de ferro

O metabolismo do ferro no nosso organismo não é simples, pelo contrário ele é consequência de eras evolutivas a fim de se evitar a perda de um elemento tão importante para o metabolismo sanguíneo. Assim, é praticamente nula a perda de ferro em uma pessoa normal, mulheres em idade fértil tem um pouco a mais devido às perdas menstruais. Nota-se então que em situações onde ocorrem a perda crônica de ferro tais como nos estados de sangramentos no intestino como podem acontecer em situações de parasitose intestinal a deficiência pode surgir.

Logo podemos concluir que não basta apenas saber que a pessoa possui anemia e que essa é oriunda da perda de ferro. É imprescindível saber o motivo da perda.

Temos também um vídeo novo sobre esse tema em nosso canal no YouTube.

Causas

As causas da perda crônica de ferro são diversas mais as principais são enumeradas abaixo:

  • Sangramento uterino anormal;
  • Perda gastro-intestinal, inclusive quadros disabsortivos;
  • Sangramento crônico, inclusive de feridas.

Diagnóstico

O diagnóstico não costuma ser complicado, pois a ferritina costuma ser parte da avaliação laboratorial e a mesma estando abaixo do normal caracteriza-se a deficiência. A anemia por carência de ferro, sem dúvidas, é a causa mais comum de anemia, mas não é a única, por isso pode ser necessária a avaliação especializada, como é o caso do parecer do Hematologista.

Você imaginava que a queda de cabelo poderia ser pista para outro problema? Comente abaixo

Tratamento

Há dois grandes pilares do tratamento da ferropenia. O primeiro é tratar o próprio estado de deficiência que se faz presente , o segundo é corrigir o distúrbio que está levando à carência, o que supõe-se tratar a raiz do problema e assim evitar o retorno do estado carencial e a anemia.

É importante reforçar que deficiência de ferro com ou sem anemia é na maioria das vezes problemas simples de ser tratado, porém doenças mais graves podem ocorrer a exemplo das doenças inflamatórias intestinais e mesmo alguns tipos de câncer.

Informação

Nada supera a pessoa que se cuida e zela pela sua saúde, mais ainda se a mesma possui as informações e, dessa forma, pode colaborar para que outras pessoas se cuidem também. Esse é um dos papéis do Hemato na Web, permitir a disseminação da informação com qualidade para todos, tornando o conhecimento sobre Hematologia mais simples de ser compreeendido.

Se acha relevante não deixe de divulgar.

Link de um artigo que revela como a solicitação da ferritina em portadores de alopecia na atenção primária pode ajudar no rastreamento de deficiência de ferro ou anemia, sem elevar significativamente os custos.

Alopecia and Iron Deficiency: An Interventional Pilot Study in Primary Care to Improve the Request of Ferritin.
https://www.hindawi.com/journals/ah/2020/7341018/