Honrando os Médicos no Dia 18 de Outubro

Mais que uma Profissão, uma Vocação Sagrada

Hoje, 18 de outubro, celebramos o Dia do Médico no Brasil, data que coincide com a festa litúrgica de São Lucas, o evangelista que era médico. Essa sincronia não é mera coincidência, mas sim um profundo reconhecimento de que a medicina sempre foi mais do que uma ciência: é uma vocação de servir, curar e acolher o sofrimento humano com compaixão.

Como hematologistas, lidamos diariamente com diagnósticos complexos, tratamentos delicados e pacientes que enfrentam batalhas contra doenças do sangue. Nossa especialidade nos ensina que cada célula conta, cada diagnóstico precoce salva vidas, e cada paciente carrega uma história única que merece ser ouvida com atenção e tratada com respeito.

Neste dia especial, fazemos uma reflexão sobre santos canonizados pela Igreja Católica que foram médicos e que nos deixaram um legado de como a medicina pode ser exercida com excelência técnica e profunda humanidade.


São Lucas: O Médico Evangelista

Descrições de hemorragias crônicas (fluxo de sangue) e hematidrose estão presentes no seu Evangelho.

São Lucas, cujo nome significa “portador de luz”, é o padroeiro dos médicos e uma figura central na história da medicina cristã. Nascido em Antioquia da Síria, Lucas era um médico culto e bem formado que nunca conheceu Jesus pessoalmente, mas foi convertido e tornou-se discípulo fiel de São Paulo, que o chamava carinhosamente de “médico amado” (Colossenses 4:14).

O Médico que Narrou a Misericórdia

Lucas não apenas praticou medicina, mas também escreveu o terceiro Evangelho e os Atos dos Apóstolos, sendo o único autor não judeu do Novo Testamento. Seu Evangelho é marcado por uma sensibilidade única: ele é quem mais fala sobre a Virgem Maria, quem narra com detalhes a infância de Jesus, e quem apresenta parábolas exclusivas sobre a misericórdia divina – como a do Bom Samaritano e a do Filho Pródigo.

Como médico, Lucas tinha o olhar treinado para os detalhes, a empatia necessária para compreender o sofrimento alheio, e a capacidade de documentar com precisão os eventos. Essas mesmas qualidades que fazem um bom médico – observação, empatia, precisão e cuidado – ele levou para sua obra literária sagrada.

Lições para a Hematologia Moderna

A abordagem de São Lucas ressoa profundamente em nossa prática hematológica. Assim como ele investigava cada detalhe com rigor, nós analisamos meticulosamente cada hemograma, cada lâmina de medula óssea, cada coagulograma. Como ele tinha compaixão pelos doentes, nós acolhemos pacientes com leucemias, linfomas, anemias graves e distúrbios de coagulação, sabendo que por trás de cada exame alterado há uma pessoa que precisa de esperança e tratamento adequado.


São Cosme e São Damião: A Medicina Gratuita e o Amor aos Pobres

Nascidos na Arábia por volta do ano 260, os santos irmãos gêmeos Cosme e Damião estudaram medicina na Síria e tornaram-se médicos renomados em Egeia, na Ásia Menor. O que os tornou extraordinários não foi apenas sua competência técnica, mas sua decisão revolucionária: não cobravam por seus serviços médicos.

Cirurgiões anárgiros; curas infecciosas e transplantes lendários.

Os “Anárgiros” – Médicos sem Dinheiro

Eles eram chamados de “anárgiros” (do grego “sem prata”), não porque desprezassem o dinheiro, mas porque entenderam que a medicina deveria ser acessível a todos, especialmente aos mais pobres. Sua prática médica era inseparável de sua missão evangelizadora: ao curarem os corpos, também cuidavam das almas, convertendo muitos pagãos ao cristianismo pelo exemplo de caridade e competência.

Mártires da Medicina e da Fé

Durante a perseguição de Diocleciano, foram presos sob acusação de feitiçaria e de usar “meios diabólicos” para realizar curas. Sua resposta aos perseguidores resume a essência de sua vocação: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo e pelo Seu poder”. Foram martirizados por volta do ano 303, sendo decapitados junto com seus três irmãos.

Relevância para o Sistema de Saúde Atual

A história de Cosme e Damião nos desafia a refletir sobre a acessibilidade da medicina. Em hematologia, lidamos com tratamentos de alto custo – desde medicações para hemofilia até terapias para mieloma múltiplo. O exemplo destes santos nos convida a buscar formas de tornar o cuidado mais acessível, seja através do SUS, de projetos sociais ou simplesmente oferecendo nossa perícia quando necessário, independentemente da condição financeira do paciente.


Santa Gianna Beretta Molla: A Pediatra que Amou até o Fim

Nascida em Magenta, Itália, em 1922, Gianna Beretta Molla formou-se em medicina e especializou-se em pediatria. Casou-se com o engenheiro Pietro Molla em 1955 e tiveram quatro filhos. Santa Gianna é um exemplo extraordinário de como conciliar a vocação médica com a vida familiar e o compromisso com a defesa da vida.

A Escolha que Mudou sua História

Durante sua quarta gravidez, em 1961, foi descoberto um fibroma no útero de Gianna. Os médicos recomendaram uma histerectomia completa, que salvaria sua vida, mas resultaria na morte do bebê. Como médica, ela conhecia perfeitamente os riscos. Como mãe e cristã, fez uma escolha heroica: permitiu apenas a remoção do tumor, preservando a vida da criança.

Pediatra; sacrificou saúde por gravidez.

Antes do parto, deixou instruções claras ao marido: “Se for preciso decidir entre mim e a criança, não hesitem. Escolham a criança. Insisto nisso. Salvem-na”. Em abril de 1962, nasceu Gianna Emanuela, mas a mãe morreu uma semana depois por complicações pós-operatórias. Sua filha, que hoje é médica geriatra, tornou-se o testemunho vivo do amor materno supremo.

A Ética Médica e o Respeito à Vida

Santa Gianna foi beatificada em 1994 e canonizada em 2004 por São João Paulo II. Seu caso levanta questões profundas sobre ética médica, autonomia do paciente e o valor absoluto da vida humana. Na hematologia, frequentemente enfrentamos dilemas éticos complexos: quando interromper tratamentos paliativos, como comunicar prognósticos graves, como equilibrar qualidade e quantidade de vida.

O exemplo de Gianna nos ensina que a medicina não pode ser reduzida a protocolos frios. Cada decisão deve respeitar a dignidade do paciente, seus valores e sua capacidade de escolher, mesmo quando essas escolhas desafiam nossa compreensão ou nossos protocolos padrão.


São José Gregorio Hernández: O Médico dos Pobres da Venezuela

José Gregorio Hernández Cisneros nasceu em Isnotú, Venezuela, em 1864, e graduou-se em medicina pela Universidade Central da Venezuela em 1888. Estudou bacteriologia, patologia e histologia em Paris e Berlim, tornando-se um dos médicos mais qualificados de sua época na América Latina.

Ciência de Ponta e Coração de Servo

São José Gregorio Hernández, primeiro santo venezuelano.

Hernández fundou a primeira cátedra de bacteriologia na Venezuela, publicou trabalhos científicos importantes e foi professor universitário respeitado. Mas o que o tornou “o médico dos pobres” foi sua prática paralela: atendia gratuitamente em sua casa todos que não podiam pagar, e ainda comprava medicamentos com seu próprio dinheiro para seus pacientes necessitados.

Tentou por duas vezes ingressar na vida religiosa, mas problemas de saúde o impediram. Entendeu então que sua vocação sacerdotal seria exercida através da medicina: cada consulta era uma oração, cada tratamento era um sacramento, cada cura era um milagre da graça de Deus operando através de suas mãos.

Um Santo para Nossos Tempos

José Gregorio morreu atropelado em 1919, quando se dirigia a uma farmácia para comprar remédios para uma paciente idosa. Sua morte, ocorrida a serviço de um paciente, selou seu testemunho de doação total. Foi beatificado em 2021 e canonizado ontem, 19 de outubro de 2025, tornando-se o primeiro santo da Venezuela.

Sua canonização é especialmente significativa para a medicina contemporânea. Ele prova que é possível ser um cientista rigoroso, um pesquisador de vanguarda e, ao mesmo tempo, um médico profundamente humano e espiritualmente engajado. Para nós, hematologistas, que lidamos com uma ciência em constante evolução, ele é o exemplo perfeito de como unir excelência técnica com compaixão genuína.


A Vocação Médica na Hematologia: Reflexões Práticas

Como hematologistas, nossa especialidade nos coloca em situações únicas. Acompanhamos pacientes com doenças crônicas que exigem tratamento prolongado. Diagnosticamos leucemias em crianças e adultos jovens, alterando para sempre o curso de suas vidas. Manejamos urgências hemorrágicas que testam nossa capacidade técnica e emocional. Oferecemos esperança através de transplantes de medula óssea que parecem milagres da medicina moderna.

Lições dos Santos Médicos para Nossa Prática Diária

1. A Observação Detalhista de São Lucas
Cada hemograma merece atenção cuidadosa. Não podemos nos contentar com interpretações automáticas. Como Lucas documentou meticulosamente os eventos que testemunhou, devemos examinar cada lâmina, cada curva de hemólise, cada padrão de coagulograma com o rigor de um verdadeiro investigador.

2. A Generosidade de Cosme e Damião
Nosso conhecimento especializado é um bem que deve ser compartilhado. Isso significa estar disponível para discussões de casos, orientar residentes e estudantes, participar de mutirões de saúde e, quando possível, atender pacientes que não podem pagar por consultas particulares.

3. O Respeito à Dignidade de Santa Gianna
Cada paciente tem autonomia para tomar decisões sobre seu tratamento, mesmo quando discordamos. Nossa função é informar, orientar e apoiar, nunca impor. O consentimento informado não é apenas um documento legal, mas um exercício de respeito à dignidade humana.

4. A Excelência Científica de José Gregorio
Devemos nos manter atualizados com os avanços da hematologia: novas terapias-alvo, imunoterapias, testes genéticos sofisticados. A ciência de ponta não é incompatível com a humanização; pelo contrário, oferece aos nossos pacientes as melhores chances de cura e qualidade de vida.

São Januário: Patrono dos Bancos de Sangue, Embora Não Médico

São Januário, patrono dos bancos de sangue.

Embora não tenha sido médico, São Januário (século III-IV), bispo de Benevento, é relevante para a hematologia como patrono de bancos de sangue e distúrbios sanguíneos, incluindo múltiplo mieloma e hemofilia. Martirizado em 305, seu sangue coletado em uma ampola liquefaz periodicamente em Nápoles desde o século XIV—um evento observado por fiéis e cientistas, sem explicação racional. Esse milagre simboliza a vitalidade do sangue, ecoando a importância de doações e transfusões em tratamentos hematológicos. Para profissionais, reforça a ética em gerenciar recursos sanguíneos, especialmente em epidemias ou cirurgias.


O Sangue como Metáfora de Vida e Doação

Em hematologia, trabalhamos literalmente com o sangue – esse tecido extraordinário que carrega oxigênio, nutrientes, defesas imunológicas e fatores de coagulação para cada célula do corpo. O sangue sempre foi símbolo de vida em todas as culturas, e na tradição cristã tem significado ainda mais profundo.

Os santos médicos entenderam que curar não é apenas restaurar a função fisiológica. É devolver a esperança, é acolher o medo, é caminhar ao lado do paciente em sua jornada de sofrimento e cura. Quando transfundimos um concentrado de hemácias a um paciente com anemia severa, não estamos apenas corrigindo um número de laboratório – estamos devolvendo a ele a energia para viver, a capacidade de trabalhar, de abraçar os filhos, de existir plenamente.


Conclusão: Médicos, Santos e Humanos

São Lucas, São Cosme, São Damião, Santa Gianna e São José Gregorio não eram super-heróis infalíveis. Eram médicos que enfrentavam as mesmas dificuldades que enfrentamos: diagnósticos incertos, tratamentos limitados pela tecnologia de sua época, pacientes que não melhoravam apesar de todos os esforços, o cansaço da rotina médica, as dúvidas sobre escolhas profissionais.

O que os tornou santos não foi a perfeição técnica ou a ausência de erros, mas a perseverança no amor, a fidelidade à vocação de servir e a capacidade de ver Cristo em cada paciente. Eles nos ensinam que ser médico é mais que dominar protocolos e guidelines; é cultivar a empatia, manter a humildade, buscar a excelência e nunca perder a capacidade de se comover diante do sofrimento alheio.

Neste Dia do Médico, que celebramos com profunda gratidão nossa vocação, lembremos que seguimos uma tradição milenar de curadores que compreenderam a medicina como um ministério sagrado. Que possamos honrar esse legado não apenas com nossa competência técnica, mas com nossa humanidade, nossa compaixão e nosso compromisso inabalável com a vida e a dignidade de cada pessoa que nos procura em busca de cura e esperança.

Chamado à Ação Ética

Em tempos de desafios éticos, como acesso equitativo a tratamentos caros para linfomas ou mielomas, esses santos lembram que a medicina é uma missão de serviço, não de lucro, inspirando hematologistas a priorizar o paciente integralmente.

Oração do Médico (Inspirada nos Santos Médicos)

Senhor, que consagraste São Lucas, São Cosme, São Damião, Santa Gianna e São José Gregorio como médicos exemplares,

Concede-nos a sabedoria de São Lucas para observar e compreender,
A generosidade de Cosme e Damião para servir sem esperar recompensa,
O amor à vida de Santa Gianna para respeitar cada existência,
E a dedicação de José Gregorio para unir ciência e fé.

Que nossos conhecimentos sejam instrumentos de cura,
Que nossas mãos sejam extensões de Tua misericórdia,
Que nossos corações permaneçam sensíveis ao sofrimento,
E que nossa vocação seja sempre um serviço de amor.

Abençoa todos os médicos, especialmente os hematologistas,
Para que possamos restaurar a saúde do sangue que dá vida,
E devolver a esperança aos que sofrem.

São Lucas e todos os santos médicos, rogai por nós!

Amém.


Feliz Dia do Médico a todos os colegas hematologistas e profissionais da medicina!
Que nossa vocação continue sendo fonte de cura, esperança e amor ao próximo.

Este artigo foi escrito em homenagem ao Dia do Médico (18 de outubro) e à memória de São Lucas, padroeiro dos médicos. Que os santos médicos continuem inspirando nossa prática diária na hematologia e em todas as especialidades médicas.

📚 Referências e Leituras Recomendadas

  • Butler, Alban. Vidas dos Santos. Ed. Vozes, 2003.
  • Rohrbacher, Pe. Vida dos Santos, Volumes XVII e XVIII.
  • Vatican News. Documentos sobre São Lucas, São Cosme e Damião.
  • Biografia oficial de Santa Gianna Beretta Molla – Society of St. Gianna.
  • Conferência Episcopal Venezuelana. Material sobre São José Gregorio Hernández.
  • Congregação para as Causas dos Santos. Processos de canonização.

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Junho Laranja: A Importância do Hemograma na Detecção de Anemia e Leucemia

Junho Laranja é uma campanha essencial para conscientizar a população sobre a anemia e a leucemia, duas condições hematológicas que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo. No centro do diagnóstico precoce dessas doenças está o hemograma, um exame laboratorial simples, acessível e indispensável. Neste artigo, exploraremos como o hemograma funciona, sua relevância na identificação de alterações sanguíneas e como ele se conecta ao Junho Laranja.

O que é o Hemograma?

O hemograma é um exame de sangue que avalia os três principais componentes celulares do sangue: eritrócitos(hemácias), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Ele fornece uma visão geral da saúde hematológica, permitindo a detecção de condições como anemia, infecções, distúrbios de coagulação e leucemias.

Hemograma é um exame rápido e o início de toda avaliação hematológica.

Componentes do Hemograma

  • Eritrócitos (Hemácias): Transportam oxigênio. Alterações, como baixa contagem, podem indicar anemia.
  • Leucócitos: Combatem infecções. Aumentos ou reduções podem sugerir leucemia ou infecções.
  • Plaquetas: Essenciais para a coagulação. Alterações podem indicar risco de sangramentos ou trombose.

Junho Laranja: Foco em Anemia e Leucemia

Junho Laranja destaca a importância da conscientização sobre anemia e leucemia, condições que podem ser identificadas ou monitoradas pelo hemograma. A anemia, caracterizada pela redução de hemácias ou hemoglobina, afeta cerca de 30% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Já a leucemia, um tipo de câncer do sangue, requer diagnóstico precoce para melhorar as chances de tratamento.

A avaliação de leucócitos pode sugerir tipo de anemia. Na figura nota-se neutrófilos hipersegmentados, característica visualizada na anemia megãloblástica. Fonte de ilustração: https://www.bmj.com/content/314/7078/430

Anemia no Foco

A anemia pode ser causada por deficiências nutricionais (ex.: ferro, vitamina B12), doenças crônicas ou perdas sanguíneas. O hemograma revela:

  • Hemoglobina baixa: Indica anemia.
  • VCM (Volume Corpuscular Médio): Ajuda a classificar a anemia (microcítica, normocítica ou macrocítica).
  • RDW elevado: Sugere variabilidade no tamanho das hemácias, comum em anemias.

Leucemia e o Papel do Hemograma

Na leucemia, o hemograma pode mostrar:

  • Leucocitose ou leucopenia: Contagem anormal de leucócitos.
  • Presença de blastos: Células imaturas, um sinal de alerta para leucemia.
  • Anemia ou trombocitopenia: Frequentemente associadas a leucemias agudas.
Esfregaço sanguíneo com blastos. Crédito de foto: imagebank.hematology.org

Por que o Hemograma é Indispensável?

O hemograma é uma ferramenta de triagem poderosa porque:

  • Acessibilidade: Disponível em laboratórios de rotina.
  • Rapidez: Resultados em poucas horas.
  • Precisão: Detecta alterações sutis que podem passar despercebidas clinicamente.

No contexto do Junho Laranja, incentivar a realização de hemogramas regulares pode salvar vidas, especialmente em populações de risco, como crianças, idosos e pacientes com histórico familiar de doenças hematológicas ou com sinais e sintomas clínicos que podem ser considerados de alerta.

Como Interpretar o Hemograma?

A interpretação do hemograma requer conhecimento técnico, mas alguns pontos são fundamentais:

  • Valores de Referência: Variam por idade, sexo e laboratório (ex.: hemoglobina 12–15,5 g/dL para mulheres; 13,5–17,5 g/dL para homens).
  • Alterações Contextuais: Uma leucocitose com neutrofilia pode indicar infecção bacteriana, enquanto linfocitose pode sugerir infecção viral ou leucemia linfocítica.
  • Correlação Clínica: O hemograma deve ser interpretado junto aos sintomas e histórico do paciente.

Tabela de Valores Normais do Hemograma

ParâmetroValores Normais (Homens)Valores Normais (Mulheres)
Hemácias4,5–5,9 milhões/µL4,0–5,2 milhões/µL
Hemoglobina13,5–17,5 g/dL12,0–15,5 g/dL
Hematócrito41–50%36–46%
VCM (Volume Corpuscular Médio)80–100 fL80–100 fL
Leucócitos4.000–11.000/µL4.000–11.000/µL
Neutrófilos40–75%40–75%
Linfócitos20–45%20–45%
Plaquetas150.000–450.000/µL150.000–450.000/µL

Junho Laranja: Um Chamado à Ação

Junho Laranja nos lembra que a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais. Realizar um hemograma regularmente pode identificar problemas antes que se tornem graves. Converse com seu médico e inclua o hemograma em seu check-up anual!

Junho Laranja uma oportunidade de conscientização e solidariedade.

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O Que Significa Ferritina Alta na Saúde?

Ferritina Alta: O que este achado laboratorial significa para a sua saúde

A ferritina elevada é um achado cada vez mais comum em exames de rotina, gerando preocupação em muitos pacientes que chegam aos consultórios hematológicos temendo diagnósticos graves. Mas o que realmente significa este resultado e quando ele deve ser motivo de preocupação? Vamos entender melhor este importante marcador e suas implicações para a saúde.

O que é a ferritina?

A ferritina é uma proteína de armazenamento de ferro presente em praticamente todas as células do organismo, sendo mais abundante no fígado, baço e medula óssea. Ela funciona como um “cofre” que guarda o ferro não utilizado imediatamente pelo corpo, protegendo as células dos efeitos tóxicos do ferro livre e mantendo-o disponível para uso futuro.

Exames de rotina são a origem da investigação da ferritina elevada na maioria das vezes.
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No sangue, a ferritina reflete os estoques de ferro do organismo, sendo um dos marcadores mais importantes para a avaliação do metabolismo deste mineral essencial.

Quando a ferritina é considerada elevada?

Os valores de referência podem variar entre laboratórios, mas geralmente considera-se:

  • Homens: 30 a 300 ng/mL
  • Mulheres: 15 a 200 ng/mL

Valores acima destes limites são considerados elevados e merecem investigação. É importante ressaltar que mulheres em idade fértil tendem a apresentar valores mais baixos devido à perda menstrual de ferro.

Vídeo do Canal de Hematologia Hemato na Web sobre a Ferritina Alta

Principais causas de ferritina elevada

A elevação da ferritina pode estar associada a diversas condições:

1. Sobrecarga de ferro

  • Hemocromatose hereditária: Doença genética que aumenta a absorção intestinal de ferro, levando ao seu acúmulo em órgãos como fígado, coração e pâncreas.
  • Transfusões sanguíneas repetidas: Comum em pacientes com anemias crônicas como talassemia maior.

2. Processos inflamatórios – causa comum!

A ferritina é uma proteína de fase aguda, ou seja, aumenta em resposta a processos inflamatórios, tais como:

  • Infecções agudas e crônicas
  • Doenças autoimunes (artrite reumatoide, lúpus)
  • Neoplasias

3. Lesão celular – causa comum!

  • Doenças hepáticas (hepatites, esteatose, cirrose)
  • Alcoolismo crônico
  • Lesão muscular extensa

4. Outras causas

  • Síndrome metabólica e diabetes
  • Hipertireoidismo
  • Uso de certos medicamentos
  • Dieta excessivamente rica em ferro

Dados epidemiológicos e curiosidades

  • Aproximadamente 1 em cada 10 adultos tem níveis elevados de ferritina em exames de rotina.
  • A hemocromatose hereditária afeta cerca de 1 em cada 200-300 pessoas de ascendência europeia, mas muitos casos permanecem sem diagnóstico.
  • Estudos recentes mostram que até 30% dos pacientes com diabetes tipo 2 apresentam ferritina elevada.
  • A ferritina pode aumentar em até 100 vezes seu valor durante processos inflamatórios agudos, funcionando como um mecanismo de defesa que sequestra ferro para dificultar o crescimento bacteriano.
  • Em idosos, níveis moderadamente elevados de ferritina são mais comuns e nem sempre indicam doença.
  • Curiosamente, o exercício físico intenso pode aumentar temporariamente os níveis de ferritina devido à inflamação muscular.

Como a ferritina elevada deve ser investigada?

A investigação da ferritina alta segue uma abordagem sistemática:

  1. Histórico médico completo: Avaliação de sintomas, histórico familiar, uso de medicamentos, consumo de álcool e padrões alimentares.
  2. Exames complementares:
    • Saturação da transferrina e ferro sérico (fundamentais para avaliar sobrecarga de ferro)
    • Hemograma completo
    • Enzimas hepáticas
    • Marcadores inflamatórios (PCR, VHS)
    • Exames para doenças específicas, conforme suspeita clínica
  3. Em casos selecionados:
    • Testes genéticos para hemocromatose (mutações no gene HFE)
    • Ressonância magnética hepática para quantificação de ferro
    • Biópsia hepática

Tratamento da ferritina elevada

O tratamento depende fundamentalmente da causa:

  • Hemocromatose e sobrecarga de ferro: Flebotomias (retirada periódica de sangue) para reduzir os estoques de ferro. Em casos específicos, medicamentos quelantes de ferro.
  • Processos inflamatórios: Tratamento da doença de base que está causando a inflamação.
  • Doenças hepáticas: Manejo específico da condição hepática e medidas como abstinência alcoólica.
  • Síndrome metabólica: Mudanças no estilo de vida, com foco em dieta equilibrada e exercícios físicos.
  • Causas dietéticas: Orientação nutricional para adequação da ingestão de ferro.

Quando se preocupar?

Uma ferritina elevada isoladamente nem sempre indica doença grave, mas valores persistentemente altos ou muito elevados (acima de 1000 ng/mL) merecem investigação cuidadosa, especialmente quando acompanhados de:

  • Fadiga inexplicada
  • Dor abdominal
  • Alterações articulares
  • Diabetes ou alterações da glicemia
  • Arritmias cardíacas
  • História familiar de hemocromatose

O que fazer?

A ferritina elevada é um achado laboratorial que requer interpretação cuidadosa e contextualizada. Sua avaliação não deve ser feita isoladamente, mas sim como parte de uma investigação clínica completa. O seguimento médico adequado é fundamental para o diagnóstico correto e manejo apropriado.

Se você recebeu um resultado de ferritina alta, não entre em pânico – na maioria das vezes, há explicações tratáveis. Contudo, nunca deixe de buscar orientação médica especializada para uma avaliação individualizada. O hematologista é o profissional mais indicado para conduzir a investigação e propor o melhor plano de acompanhamento e tratamento para cada caso específico.

A saúde é um bem precioso e compreender os sinais que nosso corpo nos envia, incluindo alterações em exames laboratoriais, é parte importante do autocuidado responsável e consciente.

Entendendo a doença falciforme: Um guia abrangente de cuidados

Conhecer sobre esse problema pode fazer a diferença na qualidade de vida!

Introdução

A doença falciforme (DF) é um distúrbio genético do sangue que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Caracterizada pela produção de glóbulos vermelhos com formato anormal, essa condição pode causar dor intensa, danos a órgãos e complicações com risco de morte. Apesar dos avanços no tratamento, a DF continua sendo um desafio significativo para a saúde, principalmente em regiões onde o acesso a cuidados especializados é limitado. Este artigo tem como objetivo fornecer uma visão geral detalhada da doença falciforme, seu impacto sobre os pacientes e as estratégias essenciais de cuidados que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas.

Hemácias em forma de foice é a característica da morfologia do eritrócito na Doença Falciforme. Fonte: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/sickle-cell-anemia/home/ovc-20303267
O que é a doença falciforme?

A doença falciforme é um distúrbio hereditário causado por uma mutação no gene HBB, que codifica a subunidade beta-globina da hemoglobina. A hemoglobina é a proteína das células vermelhas do sangue responsável pelo transporte de oxigênio por todo o corpo. Em indivíduos com DF, a hemoglobina anormal, conhecida como hemoglobina S (HbS), faz com que os glóbulos vermelhos se tornem rígidos e em forma de meia-lua, parecendo uma foice. Essas células falciformes têm dificuldade de passar por pequenos vasos sanguíneos, levando a bloqueios, redução do fornecimento de oxigênio e danos a vários órgãos.

Tipos de doença falciforme

Há várias formas de doença falciforme, dependendo da mutação genética específica:

  • HbSS: a forma mais comum e grave, em que a pessoa herda dois genes de células falciformes, um de cada pai.
  • HbSC: uma forma menos grave em que são herdados um gene da anemia falciforme e um gene para outra hemoglobina anormal (HbC).
  • HbS beta-talassemia: Uma combinação do gene da anemia falciforme e de um gene para beta-talassemia, uma condição que reduz a produção de hemoglobina.

Existem outros tipos de hemoglobina que são menos frequente, como a hemoglobina C e hemoglobina D. Essas alterações costumam se apresentar de forma mais branda que a HbSS.

Sintomas e complicações

A doença falciforme apresenta uma série de sintomas que podem variar em gravidade:

  • Crises dolorosas: Também conhecidas como crises vaso-oclusivas, esses episódios de dor intensa são causados pelo bloqueio do fluxo sanguíneo por células falciformes. A dor pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas é mais comumente sentida no tórax, nas articulações e no abdome.
  • Anemia: As células falciformes têm uma vida útil mais curta do que os glóbulos vermelhos normais, levando à anemia crônica, caracterizada por fadiga, fraqueza e palidez. A icterícia, cor amarelada de mucosas e olhos (esclera), causada pela oposição de bilirrubina, é consequência da hemólise, destruição mais precoce dos glóbulos vermelhos.
  • Infecções: O baço, um órgão que ajuda a combater infecções, é frequentemente danificado na DF, aumentando o risco de infecções bacterianas graves.
  • Danos aos órgãos: Com o tempo, os bloqueios repetidos nos vasos sanguíneos podem causar danos a órgãos como rins, fígado, pulmões e cérebro.
  • Acidente vascular cerebral (AVC): Crianças e adultos com DF têm maior risco de derrame devido a bloqueios nos vasos sanguíneos do cérebro.
  • Síndrome torácica aguda: Condição com risco de vida que imita a pneumonia, causada pela formação de fumaça nos vasos sanguíneos dos pulmões.
Controle da doença falciforme

Atualmente, não há cura universal para a doença falciforme, mas uma combinação de tratamentos e ajustes no estilo de vida pode ajudar a controlar os sintomas e reduzir as complicações:

  • Hidratação: Manter-se bem hidratado é fundamental, pois a desidratação pode aumentar a probabilidade de as células falciformes formarem aglomerados e causarem bloqueios. Os pacientes devem procurar beber pelo menos 8 a 10 copos de água por dia.
Manter o estado de hidratação é fundamental para reduzir a incidência de crises álgicas.
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O uso regular de Hidroxiureia reduz de forma significativa a incidência de crises dolorosas e a necessidade de transfusões.
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  • Controle da dor: As crises dolorosas são tratadas com analgésicos de venda livre, opioides prescritos e, às vezes, transfusões de sangue. A terapia de calor e a fisioterapia também podem proporcionar alívio.
  • Prevenção de infecções: As vacinas e os antibióticos profiláticos são essenciais para proteger contra infecções comuns. O monitoramento regular da função do baço também é vital.
  • Transfusões de sangue: As transfusões de sangue regulares podem ajudar a reduzir o risco de derrame e outras complicações, aumentando o número de glóbulos vermelhos saudáveis em circulação.
  • Hidroxiureia: Esse medicamento ajuda a reduzir a frequência das crises dolorosas e da síndrome torácica aguda, aumentando a produção de hemoglobina fetal, um tipo de hemoglobina que não é falciforme.
  • Transplante de medula óssea: Para alguns pacientes, especialmente crianças com DF grave, um transplante de medula óssea de um doador compatível pode oferecer uma possível cura. Entretanto, esse procedimento apresenta riscos significativos e não é adequado para todos.
  • Terapia gênica: Os tratamentos experimentais que envolvem a edição de genes e a terapia gênica estão se mostrando promissores na cura ou na redução significativa da gravidade da SCD. Essas terapias ainda estão em fase de pesquisa, mas oferecem esperança para o futuro.
A importância do tratamento abrangente

O controle da doença falciforme requer uma abordagem multidisciplinar que inclui check-ups regulares com um hematologista, bem como o apoio de especialistas em dor, nutricionistas e profissionais de saúde mental. A educação dos pacientes e de suas famílias sobre a doença e seu controle é fundamental para melhorar os resultados. Grupos de apoio e aconselhamento também podem ajudar os pacientes a lidar com os desafios emocionais e psicológicos de viver com uma doença crônica.

Conclusão

A doença falciforme é uma condição complexa e desafiadora que exige uma abordagem proativa para o tratamento. Com o gerenciamento adequado, os indivíduos com DF podem levar uma vida plena, apesar das limitações impostas pela doença. As pesquisas em andamento e os avanços no tratamento continuam a trazer esperança para as pessoas afetadas por essa doença que dura a vida toda. À medida que aprendemos mais sobre os mecanismos subjacentes da DF, cresce o potencial de novas terapias e, possivelmente, até mesmo de uma cura, oferecendo um futuro melhor para os pacientes e suas famílias.

Suar sangue, isso é possível?

Conheça essa rara condição chamada de HEMATIDROSE.

“Ele entrou em agonia e orava ain­da com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.”

Lc 22,44

A passagem bíblica acima em que retrata o sofrimento do Salvador decorrente dos pecados dos homens é de amplo conhecimento. Porém o que pode nos parecer ênfase literária como dizemos por vezes – “chorou lágrimas de sangue” – é na verdade uma rara condição clínica que existe na realidade chamada de HEMATIDROSE.

O que é hematidrose?

Hematidrose é uma rara condição clínica em que sangue ou seus componentes são excretados juntamente ao suor.

A hematidrose é um fenômeno raro e incomum em que uma pessoa apresenta a liberação de sangue através dos poros da pele, geralmente durante momentos de extrema angústia emocional, estresse intenso ou traumas psicológicos significativos. O termo “hematidrose” deriva das palavras gregas “haima”, que significa sangue, e “idrosis”, que se refere à transpiração.

As causas exatas da hematidrose não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que esteja relacionada a uma resposta intensa do sistema nervoso autônomo diante de situações extremas. Durante momentos de estresse severo, o corpo pode liberar substâncias químicas como catecolaminas (epinefrina e norepinefrina) e cortisol, que afetam os vasos sanguíneos e podem levar a rupturas microscópicas nos capilares, resultando na mistura de sangue com o suor.

Quais as causas?

A hematidrose é uma condição rara, logo é difícil definir causas específicas. Assim nota-se muitas vezes fatores associados a esse tipo sudorese anormal, mas devemos sempre nos atentar que associação não significa fator causal.

Imagem de mulher com hematidrose. Fonte: https://www.ejcrim.com/index.php/EJCRIM/article/view/144

A hematidrose, embora seja um fenômeno raro e pouco compreendido, geralmente está associada a condições de extremo estresse emocional ou psicológico. As causas subjacentes podem variar, mas algumas das condições que foram relacionadas a relatos históricos e casos documentados incluem:

  1. Estresse Intenso e Trauma Emocional: Situações extremas de estresse, ansiedade aguda ou trauma emocional significativo podem desencadear a resposta do sistema nervoso autônomo, levando a alterações nos vasos sanguíneos e potencialmente causando a liberação de sangue pelos poros.
  2. Distúrbios Psicológicos: Algumas condições psicológicas graves, como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou transtornos de ansiedade intensa, podem estar associadas à hematidrose.
  3. Condições Médicas Subjacentes: Algumas condições médicas, como distúrbios hemorrágicos, problemas vasculares ou distúrbios da coagulação sanguínea, podem aumentar o risco de hematidrose.
  4. Reações Físicas Extremas: Em casos de reações físicas extremas, como convulsões, a liberação de substâncias químicas no corpo pode afetar os vasos sanguíneos e contribuir para a hematidrose.
  5. Uso de Medicamentos: Certos medicamentos ou substâncias podem ter efeitos sobre o sistema circulatório e a resposta ao estresse, podendo contribuir para o fenômeno da hematidrose em casos raros.

Distúrbios sanguíneos, conforme citado acima, podem também estar associado à hematidrose. Algumas dessas condições incluem:

  1. Distúrbios de Coagulação Sanguínea: Condições como hemofilia ou outros distúrbios de coagulação sanguínea podem aumentar o risco de sangramento anormal, inclusive através dos poros.
  2. Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI): A PTI é um distúrbio autoimune que resulta na destruição de plaquetas pelo sistema imunológico, podendo causar sangramento excessivo e, em casos raros, contribuir para a hematidrose.
  3. Doença de Von Willebrand: Esta é uma condição hereditária que afeta a capacidade do sangue de coagular normalmente. Indivíduos com essa doença podem ter maior propensão a sangramentos anormais.
  4. Leucemia: Algumas formas de leucemia, um câncer do sangue, podem afetar a função normal das células sanguíneas e causar problemas na coagulação.
  5. Trombocitopatias: Distúrbios que afetam diretamente as plaquetas, como trombocitopatia, podem aumentar o risco de sangramento anormal.

É importante notar que a relação entre condições hematológicas específicas e a hematidrose não é totalmente estabelecida, e a ocorrência desse fenômeno pode ser influenciada por diversos fatores. Além disso, casos documentados são extremamente raros, e a hematidrose não é geralmente considerada como um sintoma típico dessas condições hematológicas.

Conhecia sobre esse raro fenômeno? Achava que a citação referenciada na Bíblia seria somente uma ênfase literária do autor?

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Doação de Sangue: sempre uma necessidade.

Como a transfusão de sangue pode ser o divisor de águas entre viver ou não.

A transfusão de sangue é um procedimento médico no qual o sangue ou seus componentes são transferidos de uma pessoa (doador) para outra (receptor). Essa técnica é frequentemente utilizada para tratar condições médicas que envolvem a perda significativa de sangue, como em cirurgias, traumas graves, complicações durante o parto, doenças hematológicas e certas condições médicas crônicas.

Existem diferentes tipos de componentes sanguíneos que podem ser transfundidos, dependendo das necessidades do paciente. Esses componentes incluem:

  1. Concentrado de Hemácias: Contém principalmente glóbulos vermelhos e é usado para tratar anemias ou casos de perda de sangue significativa.
  2. Concentrado de Plaquetas: Utilizado para tratar distúrbios de coagulação ou pacientes com contagens baixas de plaquetas.
  3. Plasma: Pode ser transfundido para repor fatores de coagulação em pacientes com distúrbios de coagulação.
  4. Concentrado de Granulócitos: Contém glóbulos brancos e é utilizado em casos de infecções graves.
  5. Crioprecipitado: Contém fatores de coagulação específicos e é usado em situações de sangramento.

Nessa postagem vamos detalhar um pouco mais sobre a importância de se realizar doação de sangue e como esse ato salva vidas.

De onde vem o sangue?

O sangue a ser transfundido pode ter diferentes origens, dependendo do contexto e das necessidades do paciente. Existem basicamente dois tipos principais de origens para o sangue utilizado em transfusões: autólogo e alógeno.

  1. Sangue Autólogo:
  • Autotransfusão: Nesse caso, o paciente recebe seu próprio sangue que foi coletado e armazenado anteriormente. Esse método minimiza o risco de reações imunológicas e é frequentemente usado em procedimentos cirúrgicos onde há previsão de perda de sangue.
  1. Sangue Alógeno:
  • Doador Voluntário: A fonte mais comum de sangue para transfusões é de doadores voluntários que doam sangue para bancos de sangue. Esses bancos de sangue armazenam o sangue doado e o distribuem conforme necessário para hospitais e clínicas.
  • Doador Direcionado: Em alguns casos, amigos ou familiares podem doar sangue especificamente para um paciente em particular. Isso é conhecido como doação direcionada.
Seria muito bom se encontrássemos sangue em árvores, mas isso não ocorre. A única forma de se manter estoque nos bancos de sangue é com a doação.

Independentemente da origem, é fundamental que o sangue doado seja testado quanto a doenças transmissíveis pelo sangue, como o HIV, hepatite B e C, sífilis e outras infecções. Além disso, é importante garantir a compatibilidade entre o doador e o receptor para minimizar o risco de reações adversas.

A doação de sangue é um componente crucial dos serviços de saúde e desempenha um papel vital no tratamento de pacientes em várias situações médicas, desde cirurgias até o tratamento de condições crônicas e emergências médicas.

Amanhã eu posso precisar…

Diversas situações médicas podem exigir transfusões sanguíneas, e diferentes grupos de pessoas podem ser considerados mais propensos a necessitar desse procedimento. Alguns dos grupos mais comuns incluem:

  1. Pacientes Submetidos a Cirurgias:
  • Pessoas que passam por procedimentos cirúrgicos, especialmente cirurgias de grande porte, podem necessitar de transfusões para compensar a perda de sangue durante a operação.
  1. Vítimas de Trauma:
Vivemos uma guerra diária na busca por doadores.
  • Indivíduos que sofrem traumas graves, como acidentes de carro ou lesões graves, frequentemente precisam de transfusões para tratar a perda significativa de sangue.
  1. Pacientes com Anemia Grave:
  • Pessoas com anemia grave devido a condições médicas como deficiência de ferro, doença renal crônica, ou outras doenças hematológicas podem necessitar de transfusões para corrigir a deficiência de hemoglobina.
  1. Pacientes com Doenças Hematológicas:
  • Indivíduos com doenças do sangue, como anemia falciforme, talassemia, ou certos tipos de câncer do sangue, podem precisar de transfusões regularmente para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
  1. Pacientes com Complicações na Gravidez ou Parto:
  • Mulheres que enfrentam complicações durante a gravidez ou o parto, como hemorragias, podem necessitar de transfusões para tratar a perda de sangue.
  1. Pacientes Submetidos a Tratamentos de Câncer:
  • Alguns tratamentos de câncer, como quimioterapia, podem afetar a produção de células sanguíneas, tornando necessárias as transfusões para manter níveis adequados.
  1. Pacientes com Distúrbios de Coagulação:
  • Indivíduos com distúrbios de coagulação, como hemofilia, podem precisar de transfusões de fatores de coagulação específicos para tratar ou prevenir sangramentos.

É importante notar que as necessidades de transfusão variam de acordo com a situação clínica individual. Os profissionais de saúde avaliam cuidadosamente a condição do paciente antes de decidir pela realização de uma transfusão de sangue, garantindo que o procedimento seja feito apenas quando realmente necessário.

Quem pode doar sangue?

Sempre é preciso a sua doação.

Critérios básicos para doação (fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/sangue)

  • Ter idade entre 16 e 69 anos, (menores de 18 anos devem apresentar consentimento formal do responsável legal);
  • Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos.
  • Apresentar documento de identificação com foto emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Carteira Nacional de Habilitação, Carteira de Trabalho, Passaporte, Registro Nacional de Estrangeiro, Certificado de Reservista e Carteira Profissional emitida por classe). São aceitos documentos digitais com foto.
  • Pesar no mínimo 50 kg.
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas.
  • Estar alimentado. Evitar alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue. Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas.

Existem situações que contraindicam a doação e você poderá se informar melhor no Banco de Sangue mais próximo de sua casa.

Antes de uma transfusão, são realizados testes para garantir a compatibilidade entre o doador e o receptor, minimizando assim o risco de reações adversas. As transfusões de sangue são procedimentos comuns e salvam vidas, mas também envolvem riscos, razão pela qual são realizadas apenas quando estritamente necessárias e sob supervisão médica.

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